17 Mai, 2019

Incidência de cancro colorretal aumenta em indivíduos abaixo dos 50 anos

A incidência de casos de cancro colorretal está a aumentar em pessoas com menos de 50 anos em pelo menos sete países desenvolvidos.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet analisou os registos oncológicos de vários anos em sete países: Austrália, Canadá, Dinamarca, Irlanda, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido.

Em todos os países estudados foi detetado um declínio ou estabilização da incidência dos casos de cancro do cólon e do reto, sendo que foram analisados dados desde que cada um dos países tem registos até 2014. Contudo, analisadas separadamente as faixas etárias abaixo e acima dos 50 anos, os dados apontam em sentidos opostos.

Nas pessoas entre os 50 e os 74 anos, a incidência tem vindo a baixar nos sete países estudados, enquanto nos que têm menos de 50 anos a incidência aumentou. O estudo considera que será necessária investigação adicional para estabelecer as causas deste aumento de casos em adultos mais jovens e para definir eventuais políticas preventivas e de deteção precoce.

Aliás, a diminuição da incidência em pessoas acima dos 50 anos é atribuída em grande medida à implementação de rastreios. Outro estudo divulgado pelo British Medical Journal aponta para a mesma situação na Europa, afirmando que o cancro colorretal está a subir nos adultos na faixa entre os 20 e os 49 anos.

“As taxas aumentaram mais acentuadamente entre o grupo etário mais jovem (20-29 anos)”, afirmam os investigadores, alertando que, se a tendência persistir, as diretrizes de triagem podem precisar de ser reconsideradas.

Ao longo da última década, o número de novos casos de cancro do intestino aumentou na maioria dos países europeus, mas a situação nos adultos mais jovens não era clara, o que levou uma equipa de investigadores a analisar registos de cancro nacionais e regionais sobre o número de novos casos e mortes relacionadas com o cancro do intestino entre 1990 e 2016.

Os investigadores utilizaram dados de 143,7 milhões pessoas com idade entre 20-49 anos de 20 países, incluindo Alemanha, Suécia, Reino Unido e Holanda. Entre 1990 e 2016, um total de 187.918 pessoas foram diagnosticados com cancro do intestino e houve um aumento acentuado no número de casos novos nos últimos anos.

Entre os 20 e os 29 anos de idade, a incidência desta doença subiu de 0,8 para 2,3 casos por 100.000 pessoas entre 1990 e 2016, e o aumento mais acentuado foi entre 2004 e 2016, de 7,9% por ano. Para o grupo de 30-39 anos de idade, a incidência aumentou menos abruptamente do que na faixa etária mais jovem, em média de 4,9% ao ano de 2005 a 2016.

No grupo etário 40-49 anos, as taxas caíram 0,8% entre 1990-2004, mas aumentaram ligeiramente em 1,6% ao ano de 2004 para 2016.

Segundo o estudo, novos casos de cancro de intestino aumentaram significativamente entre as pessoas com idades entre os 20 e os 39 em 12 países, nomeadamente, Bélgica, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia, Irlanda, França, Dinamarca, República Checa e Polónia, mas baixou na Itália.

Em oito países – Reino Unido, Gronelândia, Suécia, Eslovénia, Alemanha, Finlândia, Dinamarca e Holanda – o número de casos subiu significativamente entre os 40 e os 49 anos, mas as taxas caíram significativamente na República Checa nos últimos anos (1997-2015).

O cancro colorretal é o terceiro tipo de cancro mais comum em termos mundiais. No ano passado, estima-se que tenham sido diagnosticados 1,8 milhões de novos casos e que tenham morrido da doença mais de 880 mil pessoas.

Em Portugal registam-se cerca de sete mil novos casos de cancro colorretal por ano. Segundo o último relatório das doenças oncológicas, a doença matou mais de 3.800 pessoas em 2015.

LUSA

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