20 Dez, 2018

HPV. “Portugal é campeão europeu de vacinação”, diz Vítor Veloso

Em entrevista ao Saúde Online, o presidente da Liga contra o Cancro lembra importância da introdução da nova vacina nonavalente, que protege contra cerca de 80% dos tipos de HPV, e destaca a evolução de Portugal nos últimos anos no que diz respeito à vacinação.

Saúde Online | Qual é o panorama atual relativamente ao HPV, em relação, por exemplo, à incidência?

Dr. Vítor Veloso | É bom referir que, antes da vacinação, o panorama nacional era demasiadamente mau para ser verdadeiro. Nós tínhamos o dobro da incidência e o dobro da mortalidade, não só em relação à Europa comunitária como em relação à nossa vizinha Espanha. Este panorama surpreendeu-nos e fez com que abraçássemos uma campanha – em conjunto com todas as sociedades científicas.

A infeção por HPV é extremamente frequente. Quais são as principais lesões provocadas pelo vírus?

Dr. Vítor Veloso | O cancro do colo do útero continua a ser, apesar de tudo, uma das principais causas de mortalidade no grupo das mulheres jovens (entre os 15 e os 44 anos) a nível europeu.

Em termos de rastreio, a zona Centro é a única que está coberta. A zona Norte ainda não está completa mas é na zona Sul que o panorama é muito pior. A região de Lisboa e Vale do Tejo é a região com menos rastreios de cancro do colo do útero.

O que é possível fazer para inverter esse cenário?

Dr. Vítor Veloso | É possível fazer o que se tem sido feito em Portugal e muito bem. Em 2008 iniciou-se a vacinação. Graças à campanha que a Liga [Portuguesa contra o Cancro] realizou, com o apoio das sociedades científicas, conseguimos sensibilizar as mulheres (sobretudo as mães de jovens raparigas) para a importância da vacinação.

Portugal é campeão da vacinação contra o HPV, o que é um facto notável. Temos 85% de todas as raparigas cobertas. Portugal está no primeiro lugar a nível europeu e a nível mundial só a Austrália está melhor.

Que avaliação faz da nova vacina contra o HPV que foi incluída no Plano Nacional de Vacinação (PNV)?

Dr. Vítor Veloso | Faço uma avaliação altamente positiva, na medida em que protege muito mais a mulher do que a anterior.

E em relação à extensão da vacinação aos rapazes, que foi agora aprovada?

Dr. Vítor Veloso | Em relação a isso a nossa posição foi sempre a favor. A Liga foi chamada, juntamente com duas sociedades cietíficas, para darmos o nosso parecer numa audiência parlamentar na Comissão Parlamentar de Saúde. Aí verificamos que havia um bom acolhimento por parte dos deputados e isso veio a refletir-se no orçamento de estado, que, neste momento, já tem verbas atribuídas para a vacinação dos rapazes. O Senhor presidente da República também deu uma ajuda no que respeita à inclusão dos rapazes no PNV.

O que de mais importante se discutiu no Congresso internacional sobre HPV, que decorreu em Lisboa?

Dr. Vítor Veloso | Discutiu-se a evolução, desde o início da vacinação até às atuais descobertas. Não estamos ainda no fim do estudo do HPV. Temos muito mais conhecimento mas temos de ter atenção que, apesar de tudo, o HPV é principal causa do cancro do colo do útero e é responsável pelo aparecimento de condilomas genitais (tanto no homem como na mulher), pelo aparecimento do cancro da cavidade oral, do cancro do pénis e do cancro do ânus. Cada vez mais se verifica que o HPV aparece neste tipo de cancros e isso levará a novos estudos e, consequentemente, a novas estratégias para que a vacinação seja melhorada.

E que novidades terapêuticas temos tido nesta área?

Dr. Vítor Veloso | Aqui tem de se falar, principalmente, na prevenção primária e secundária. É preciso chamar a atenção que a vacina, só por si, não é suficiente – protege muito mas a mulher tem de fazer sempre o rastreio do colo do útero através do papanicolau ou, melhor ainda, através de outro tipo de atuação, em que já se determina se há células suspeitas e se há ou não HPV no colo do útero.

Saúde Online

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