8 Nov, 2021

Hospital da Cruz Vermelha vai reforçar área da cardiologia e deve voltar aos lucros em 2024

Anúncios foram feitos pelo presidente da comissão executiva, Francisco Ramos. Orçamento para os próximos quatro ano prevê ainda reforço das infraestruturas.

Hospital da Cruz Vermelha vai reforçar área da cardiologia e deve voltar aos lucros em 2024

O presidente da comissão executiva do Hospital da Cruz Vermelha (HCV)anunciou que a unidade atingirá o equilíbrio financeiro em 2024 e que nos próximos quatro anos será feita uma aposta nas suas áreas de excelência, entre as quais a cardiologia.

“Este ano ainda vamos ter uma condição deficitária, prevemos algum equilíbrio em 2023 e o regresso a resultados positivos em 2024“, disse à agência Lusa Francisco Ramos, explicando que a situação financeira do hospital era delicada, que melhorou ao longo deste ano a sua atividade, mas que ainda é insuficiente.

Francisco Ramos, que assumiu estas funções em dezembro de 2020, falava à Lusa na sequência da aprovação do orçamento para 2022/2025, em sede do conselho de administração do hospital, que agora inclui os novos acionistas, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (titular de 54,98% do capital social da CVP-SGH) e da Parpública – Participações Públicas (SGPS), S.A. que detém 45%.

“Queremos que o hospital funcione baseado no que faz melhor, mantendo a lógica de hospital de prestígio, com uma dimensão não muito grande, onde se possa manter um bom ambiente de trabalho e um bom ambiente para as pessoas que nos visitam”, disse.

O presidente da comissão executiva explicou que o objetivo é apostar na estrutura interna, nomeadamente nas áreas de excelência do hospital: cardiologia, cirurgia cardíaca, ortopedia, cirurgia bariátrica e urologia assim como no retomar do transplante renal.

“A marca hospital da Cruz Vermelha continua a ser uma marca de valor. Na prática queremos que continue a ser uma peça importante no sistema de saúde”, frisou.

Para melhorar as condições infraestruturais, explicou, ficou desenhado um plano de investimentos que rondam os 20 milhões de euros a executar nos próximos quatro anos.

Desde 2018, que a atividade do Hospital da Cruz Vermelha tem mantido uma trajetória decrescente nas diferentes linhas assistenciais, tendo-se acentuado nos últimos anos, devido, nomeadamente, à situação pandémica provocada pelo vírus SARS-COV 2.

A alteração da estrutura acionista foi considerada como uma oportunidade para a revitalização do Hospital, nomeadamente através do desenvolvimento de complementaridades e sinergias com outras entidades do universo da SCML e do seu reposicionamento no sistema de saúde e social nacional.

Ao longo de 2021, adiantou Francisco Ramos, foi retomada a atividade, com um crescimento entre 10 e 30 por cento, mas que é ainda insuficiente para garantir o equilíbrio financeiro.

“Ainda não conseguimos ultrapassar os efeitos negativos da pandemia”, admitiu, salientando que o hospital tem tentado criar condições para não perder profissionais, situação que acabou por ocorrer desde 2019, tendo inclusive agora melhorado as condições de remuneração de entrada dos enfermeiros.

Com a nova estrutura acionista o hospital também muda um pouco, embora mantendo-se hospital privado terá uma elevada vertente social, “dando atenção aos doentes do SNS e também aos da Misericórdia de Lisboa”.

“Vai continuar a ter vertente de hospital privado de referência até para financiar a atividade social”, disse adiantando que “o Hospital da Cruz Vermelha não pode ser um hospital privado como os outros” reforçando o papel social dedicando uma parte importante da sua capacidade a essa área.

Para já está prevista essa aposta social com os 30 mil beneficiários do apoio da misericórdia de Lisboa que passam a ser apoiados no Hospital da Cruz Vermelha em termos de consultas de especialidade médicas.

Francisco Ramos adiantou que está também em curso um protocolo com a junta de freguesia onde está instalado (S. Domingos de Benfica) criando condições especiais para “os vizinhos” da unidade além de um plano em negociação com o Montepio Geral para que o hospital seja um parceiro de referência abrangendo 600 mil pessoas.

O Hospital Cruz Vermelha foi inaugurado em 01 de fevereiro de 1965 e teve a sua génese no Hospital de Santo António da Convalescença ou Casa de Saúde de Benfica, mandada construir pela Cruz Vermelha Portuguesa para dar resposta na avaliação, diagnóstico e tratamento dos doentes com graves ferimentos sofridos na guerra colonial (1961/1974).

SO/LUSA

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