4 Dez, 2020

Hospitais sem verbas próprias não conseguem reforçar UCI

Norma obriga hospitais a avançarem com o dinheiro. Obras de ampliação da UCI do Hospital de São José ainda não começaram porque hospital não tem liquidez suficiente.

Numa altura em que a pressão sobre as Unidades de Cuidados Intensivos se mantém alta em muitos hospitais do país (há unidades lotadas), muitos hospitais não conseguem avançar com as tão necessárias obras de ampliação destas unidades, de modo a acautelar um provável aumento do número de doentes críticos no inverno, avança o Expresso.

Em causa está uma circular da Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS), que obriga os hospitais a avançarem com as obras com recursos a verbas próprias, sendo depois reembolsados com o montante gasto. O problema é que algumas unidades hospitalares não dispõem de liquidez financeira suficiente, o que está a adiar o início dos trabalhos. Se a situação se mantiver, e tendo em conta que as obras demoram, no mínimo, algumas semanas (no Centro Hospitalar de Gaia/Espinho, por exemplo, demoraram três meses), a ampliação pode não se realizar a tempo de acomodar o período mais crítico para as UCIs.

O Hospital de São José, por exemplo, já deveria ter iniciado em Outubro as obras que iriam permitir duplicar o número de camas. No entanto, o Centro Hospitalar de Lisboa Central (ao qual pertence o São José) não tem disponíveis os 3,5 milhões de euros necessários. Tal como outros hospitais de Lisboa e do Porto, também esta unidade tem a sua UCI quase no limite, com 29 das 30 camas ocupadas.

O diretor do serviço de Medicina Intensiva do São José tem ainda outra preocupação. “A nossa dúvida é se agora, quando devíamos estar concentrados nos doentes, teremos capacidade para desenvolver obras, que, embora necessárias, constrangem o funcionamento”, diz Luís Bento.

Estes constrangimentos impedem o governo de cumprir o plano que apresentou ainda em agosto e que previa o reforço de 16 UCI em todo o país, num investimento superior a 26 milhões de euros.

TC/SO

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