13 Jan, 2021

Há milhares de inquéritos epidemiológicos por realizar

Falta de recursos humanos impede controlo de muitas cadeias de transmissão. Saúde Pública desconhece a origem do contágio em 87% dos casos.

Com o aumento exponencial dos número de casos diários de Covid-19, são cada vez mais os inquéritos epidemiológicos que ficam por realizar ou concluir, o que dificulta a interrupção de muitas cadeias de transmissão. O problema está na falta de recursos humanos para fazer o acompanhamento dos contágios, diz o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP).

“Há milhares de inquéritos por concluir a nível nacional”. “Não há unidade que consiga fazer hoje tudo o que deveria fazer. É impossível, não há meios para isso”, sublinha Ricardo Mexia, em declarações ao DN.

Também os administradores hospitalares se mostram preocupados com a falta de recursos para rastrear os contactos de risco. “Por cada caso positivo que identificamos, vamos rastrear contactos, vamos acompanhar esses contactos de risco, testá-los e eventualmente isolá-los se forem de alto risco”, mas, afirmou, “para isso, é preciso rastreadores, pessoas que contactem esses contactos de risco e que os acompanhem”, destaca Xavier Barreto, da direção da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.

A 7 de janeiro, existiam, segundo dados da DGS, cerca de 763 profissionais a realizar inquéritos epidemiológicos a tempo inteiro, a que somavam outros 193 a tempo parcial.

Perante a falta de capacidade para acompanhar as cadeias de transmissão, os especialistas admitem que em 87% dos casos se desconheça a origem do contágio – seja porque os próprios infetados não sabem em que circunstâncias se deu a infeção, seja porque não foram contactados pelas autoridades de saúde.

Para agravar a situação, é em janeiro que habitualmente se faz a rotação dos médicos internos (em formação) nas unidades de saúde. “Os internos que estavam a apoiar as equipas da unidade fizeram agora a sua rotação, uns terminaram a sua formação geral, outros voltaram às unidades onde estavam”, diz Ricardo Mexia.

Mesmo com o reforço do número de rastreadores já anunciado na região de Lisboa e Vale do Tejo, o presidente da APMSP alerta para o facto de os médicos de saúde pública estarem “atolados em tarefas burocráticas” (como a inserção dos dados epidemiológicos em várias plataformas informáticas), “quando deveriam estar concentrados nos inquéritos”.

Atualmente existem cerca de 350 médicos de saúde pública em Portugal, de acordo com os números da Ordem dos Médicos. No último concurso de acesso à especialidade, o Ministério triplicou as vagas de formação na área da Saúde Pública (54).

TC/SO

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