Há hospitais que demoram mais de um ano a pagar aos fornecedores

Hospital de Setúbal lidera a lista, com mais de 500 dias, mas há cinco unidades de saúde por todo o país que demoram mais de um ano a pagar aos fornecedores. Tempos de espera estão a agravar-se, apesar das injeções de capital feitas pelo Ministério da Saúde.

O cenário repete-se de ano para ano e está a agravar-se. Os hospitais públicos são os únicos que figuram entre as entidades públicas que demoram mais de 90 dias a pagar aos seus fornecedores, segundo a informação mais recente publicada pela Direção Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), e demoram cada vez mais tempo a fazê-lo.

Dos 33 hospitais que integram esta ‘lista negra’, cinco demoram mais de um ano a saldar as dívidas. A lista é liderada pelo Hospital de São Bernardo, em Setúbal, que, no final de 2017, demorava em média 506 dias a pagar – o que representa um agravamento de 34 dias em relação a 2016 e de 84 dias em relação a 2015.

Segue-se o Centro Hospitalar de Lisboa Norte, que integra os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, e que demora, em média, 439 dias a saldar as dívidas (valor que, ainda assim, regista melhorias em relação aos 478 dias no final de 2016 mas que é pior do que os 388 dias registados no último trimestre de 2015).

O pódio fica completo com o Centro Hospitalar do Baixo Vouga – que agrega os hospitais de Aveiro, Águeda e Estarreja -, cujos fornecedores ficam, em média, 395 dias à espera do pagamento dos serviços que prestam ou dos materiais que fornecem a estas unidades de saúde da região Centro. Na lista da DGTF, encontram-se ainda mais dois casos de unidades que precisam de mais de um ano para saldar as dívidas: o Hospital Distrital de Santarém (390 dias) e a Unidade Local de Saúde de Matosinhos (385 dias).

Os últimos dados divulgados pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público Empresarial (UTAM), indicam que a saúde é, de forma destacada, o setor com o prazo médico de regularização de dívidas mais alto: 157 dias (quase seis meses) no final do ano passado, mais 15 do que em 2016 e mais 58 do que em 2015.

Contudo, o agravamento dos tempos de pagamento na saúde não é uma situação específica deste setor. A média de tempo dos pagamentos no perímetro de Setor Empresarial do Estado tem vindo a agravar-se: era de 89 dias no final de 2017, mais 30 em comparação com 2015. Em declarações ao Negócios, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) atribui a responsabilidade por este agravamento dos prazos de pagamento ao subfinanciamento do SNS. “Sucessiavamento, o orçamento do SNS assume uma situação deficitária. O orçamento de 2018 não é uma exceção, estando previsto um défice de 252 milhões de euros. Sem planos de reestruturação dos hospitais mais problemáticos, acompanhados do devido investimento e reforço financeiro operacional, dificilmente veremos uma melhoria face à situação atual”, diz Alexandre Lourenço, que defende que os reforços extraordinários feitos pelo Ministério da Saúde para pagar dívidas (500 milhões em dezembro e outros 400 em março) não resolvem o problema estrutural.

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