Há 55 anos, foi o primeiro doente operado ao coração com o sangue fora do corpo

O primeiro doente sujeito a uma cirurgia cardíaca, durante a qual o sangue circulou fora do corpo, realizada há 55 anos no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, vai participar amanhã numa sessão comemorativa da unidade de saúde

O cirurgião José Fragata, que dirige a Área Coração, Vasos e Tórax do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), a que pertente o Hospital Santa Marta, explicou que o feito, hoje tão comum, foi na altura altamente inovador.

Este circuito extracorporal faz com que o sangue circule fora do corpo (por tubos e máquinas), de modo a permitir aos cirurgiões fazerem o seu trabalho.

“A cirurgia de coração aberto [trabalhar dentro das cavidades cardíacas] só foi possível quando tivemos ao nosso dispor um oxigenador para substituir os pulmões e uma bomba para substituir o coração. Para trabalharmos dentro do coração não pode estar lá a passar sangue, senão não se vê nada”, explicou.

A primeira destas máquinas começou a ser utilizada nos Estados Unidos em 1953 e, em 1962, coube ao cirurgião português Machado Macedo introduzir o sistema em Portugal, em Santa Marta.

José Fragata sublinhou que atualmente este sistema é usado sempre que um cirurgião precisa de afastar o sangue das cavidades cardíacas, de modo a corrigir alguma anomalia.

“Hoje mesmo operei um doente. É só ir à prateleira buscar o sistema, colocar e desviar o sangue que passa no coração e no corpo numa máquina, parar o coração e trabalhar lá dentro”, disse.

A primeira cirurgia durou 8,5 horas e o doente ficou internado 16 meses. Hoje em dia, a mesma intervenção demora cerca de uma hora e o doente tem alta ao fim de cinco dias, revelou.

Esta vulgaridade contrasta com a inovação de há 55 anos, quando a introdução deste sistema foi “brutal”.

O doente em questão, operado quando tinha cinco anos a um defeito simples cardíaco, estará presente amanhã numa sessão comemorativa no Hospital Santa Marta, durante a qual serão distinguidos os pioneiros da perfusão cardiovascular de Santa Marta.

LUSA/SO/SF

 

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