Greve dos enfermeiros com adesão de 70 a 90%

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) fala de “uma adesão extremamente elevada” à greve nacional que convocou, apontando números entre 70 e 90% em várias unidades de saúde. O SEP marcou para hoje uma greve para pedir a contratação de mais enfermeiros para compensar a passagem para 35 horas semanais a partir de 01 de julho.

A greve dos enfermeiros para exigir a contratação de mais profissionais para compensar a passagem ao regime das 35 horas semanais a partir de julho está a registar no Porto uma adesão de “cerca de 70%”.

Em declarações à Lusa, a dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Fátima Monteiro, disse que as cirurgias programadas são as mais afetadas com este protesto. “A taxa de adesão é significativa, por exemplo no Hospital de São João ronda os 79%, na Unidade Local de Saúde de Matosinhos é de 71,5% e na Póvoa ronda os 95%”, disse Fátima Monteiro.

Segundo a dirigente do SEP, os blocos de cirurgia programada “estão quase todos encerrados, por exemplo no Hospital de Santo António, as nove salas de cirurgia estão fechadas, na Póvoa, duas salas também não funcionaram, no Hospital de São João, dez das 12 salas estão dez fechadas, e no Hospital Padre Américo de Penafiel estão as dez salas encerradas”.

A situação é idêntica no Hospital de Vila Nova de Gaia, onde “sete das oito salas de cirurgia programada estão encerradas”. Em relação às cirurgias de urgência “são todas asseguradas”, disse. No que se refere ao impacto que a greve está a ter nas consultas externas e nos centros de saúde, a dirigente sindical disse que “ainda não houve capacidade para recolher os dados”.

Em Coimbra, a adesão situa-se entre os 75 e os 80%, informou hoje o dirigente regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. “De uma forma genérica, a adesão à greve é muito forte no distrito de Coimbra”, com os hospitais a registarem uma adesão de entre 75 e 80%, afirmou o coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Paulo Anacleto, sublinhando que os enfermeiros “estão altamente descontentes”.

De acordo com o dirigente sindical, no bloco operatório central do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) “nenhuma cirurgia programada foi realizada”, sendo que nos blocos operatórios periféricos também só estão “as urgências a funcionar”. Também nos centros de saúde do distrito, a adesão à greve faz-se sentir, tendo provocado o encerramento do centro de saúde de Eiras, acrescentou.

Paulo Anacleto referiu que soube na terça-feira que vão ser contratados 46 profissionais de saúde para o CHUC, salientando que, mesmo que todos fossem enfermeiros, o número fica muito aquém das necessidades daquele hospital. “Só enfermeiros, faltam 300 no centro hospitalar. E isto não são dados do sindicato, mas da própria administração”, salientou. Segundo o dirigente sindical, os enfermeiros “estão em exaustão”, registando-se um “elevadíssimo percentual de absentismo”.

“Tem de haver afetação de recursos sob pena de se fazerem mais horas extraordinárias programadas. Em vez de se fazerem as 35 horas, fazem 45 ou 66, havendo enfermeiros com 300 a 400 horas extraordinárias a haver”, vincou, alertando ainda para o aumento esperado da necessidade de mais enfermeiros no CHUC, quando, a partir de 01 de julho, os enfermeiros com contrato individual de trabalho voltarem às 35 horas semanais de trabalho em vez das 40 atuais.

Nos Açores, verifica-se uma adesão na ordem dos 70%, segundo o sindicato, mas a tutela garante que a paralisação se situa na ordem dos 38% no Serviço Regional de Saúde.

“No turno da manhã, a média dos três hospitais é de 73% e de 64% nos centros de saúde”, adiantou à Lusa o coordenador do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses nos Açores, Francisco Branco, acrescentando que a paralisação originou “o cancelamento de tratamentos, enquanto nos blocos operatórios só estão asseguradas cirurgias com caráter urgente”.

“Nos blocos operatórios a informação que tenho é que só estão a ser asseguradas cirurgias de caráter urgente e tudo o que é programado foi e está a ser adiado”, disse.

Francisco Branco salientou que apesar da greve ser convocada no contexto nacional com “questões que decorrem de decisões do Governo central”, mas nos Açores “há em particular a questão das 35 horas para os enfermeiros que estão nos hospitais em contrato individual de trabalho”, apesar de se manifestar expectante para alcançar um acordo com a tutela na região. “Ainda não temos um acordo firmado para a região, embora estejamos no bom caminho na construção deste acordo, porque temos uma última proposta que chegou no dia 19”, explicou.

Falando aos jornalistas à porta do hospital de S. José, em Lisboa, o presidente do sindicato, José Carlos Martins, afirmou que, naquela unidade, a adesão à greve atingiu 90,3%, enquanto que no hospital de S. João, no Porto, 79% dos enfermeiros não foram trabalhar. No litoral, indicou adesão de 87%, enquanto em Leiria pararam as cirurgias e no hospital Egas Moniz, em Lisboa, a adesão no turno da manhã era de 78%.

José Carlos Martins afirmou que o governo garantiu na segunda-feira que irá concluir até final de semana as autorizações para contratar cerca de 2.000 profissionais de saúde, mas isso não satisfaz o sindicato, que fala em “vergonha e incompetência” e uma “lamentável gestão política” da passagem para as 35 horas.

LUSA/SO

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