25 Out, 2021

Governo vai criar carreira de técnico auxiliar de saúde

Carreira vai ser criada já em 2022. A Associação Portuguesa dos Técnicos Auxiliares de Saúde lembra a importância da classe, que tem 28 mil profissionais.

A carreira de técnico auxiliar de saúde vai avançar já em 2022, como anunciou este domingo a ministra da Saúde, Marta Temido. O governo faz, assim, mais uma aproximação ao Bloco de Esquerda, que exigia a criação desta carreira no caderno de encargos com apresentou com vista à viabilização do orçamento de estado para 2022.

Segundo avança o Público, o governo decidiu antecipar a criação da carreira mas os moldes da mesma ainda não são conhecidos. Questões como as regras de transição e tabela remuneratória serão discutidas com os sindicatos.

A criação de uma carreira é uma exigência antiga da Associação Portuguesa dos Técnicos Auxiliares de Saúde (APTAS). “No final de 2008, os Auxiliares de Ação Médica, e atuais Assistentes Operacionais, ficaram sem a sua categoria e carreira profissional. Só no SNS somos mais de 28 mil profissionais, 20 % da força produtiva e 3º grupo profissional”, diz o presidente da APTAS, em declarações ao SaúdeOnline.

Adão Rocha lembra que estes profissionais “ajudam na higiene diária dos nossos familiares, apoiam quando necessário na alimentação, trocam fraldas e colocam aparadeiras, fazem a desinfeção das unidades dos doentes, e muitas das vezes até outras limpezas, que deveriam estar a cargo de equipas destinadas para o mesmo”. No entanto, diz, a importância da classe estende-se a outras áreas, nomeadamente apoio aos familiares dos doentes e aos enfermeiros (nos exames, toma de medicamentos ou transporte dos doentes).

Estes profissionais não têm fins de semana, trabalham em rotatividade 24 horas diárias, 365 dias do ano, não podem contar passar o natal, ano novo, ou outras festividades em casa, com os seus familiares, as férias não são por si escolhidas, mas sim por um plano de escala anual, muitas das vezes seguem turnos de 10, 12 ou 14 horas seguidas, e não rara a vez, turnos de 17 horas”, lembra o responsável.

A APTAS contesta ainda o facto de Portugal ser o único país da União Europeia que permite que entrem para o SNS pessoas sem qualificações ou certificação. “É incompreensível. A formação é ministrada pelo próprio estado, o mesmo que defende a qualificação do capital humano, onde se gastam milhões de euros, e acabam por não serem aproveitados a 100%, pois contratam pessoas sem qualquer qualificação, para o exercício da profissão”, critica Adão Rocha.

SO

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