20 Ago, 2019

Falta de medicamentos nas farmácias deixa doentes sem alternativas

Há medicamentos esgotados há pelo menos um ano. Milhares de doentes com hipertensão, Parkinson ou epilepsia estão sem alternativas.

Foram mais de 10 os medicamentos que faltaram nas farmácias durante o mês de julho, deixando vários milhares de doentes sem alternativas terapêuticas, adianta o jornal Correio da Manhã.

Os doentes mais afetados são os que sofrem de doenças como Parkinson, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), asma, diabetes e epilepsia. Perante a rutura dos stocks nas farmácias, muitos veem-se obrigados a interromper o tratamento.

Há situações críticas, que preocupam a Associação Nacional de Farmácias (ANF). Um exemplo disso é o Adalat, um medicamento usado para a hipertensão e que está esgotado há mais de um ano. O problema é que o genérico correspondente, a Nifedipina, está também esgotado há vários meses em muitas farmácias.

Já um anticoagulante oral muito utilizado, o rivaroxabano (comercializado sob o nome Xarelto) não está disponível em cerca de 70% das farmácias, segundo adianta Rui Nogueira, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. O médico admite que existem outras alternativas terapêuticas mas que o fármaco em causa é muito eficaz na prevenção de Acidentes Vasculares Cerebrais.

Também em falta em mais de 70% das farmácias está o Sinemet, um fármaco usado no tratamento dos sintomas da Doença de Parkinson. Já o Mysoline tem cerca de 67 mil embalagens em indisponibilidade (embalagens pedidas mas não dispensadas) e já entrou em rutura em 62% dos estabelecimentos. Também neste caso deste fármaco (usado para controlar convulsões epiléticas) os doentes ficam sem nenhuma alternativa terapêutica.

A ANF admite que uma das causas destas ruturas é o facto de uma mesma fábrica produzir o mesmo medicamento para várias farmacêuticas, o que torna toda a cadeia de comercialização demasiado exposta a um eventual problema numa das fábricas. Em 2018, faltaram mais de 64 milhões de medicamentos nas farmácias, o que obrigou mais de 370 mil pessoas a interromperem o tratamento. Este ano, a situação tende a agravar-se.

TC/SO

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