7 Out, 2019

Estudo que contraria malefícios da carne vermelha pode ter sido pago pela indústria pecuária

Investigador principal escondeu ligações à indústria das carnes. Bradley Johnston já tinha também tentado desacreditar as recomendações para consumir menos açúcar.

Estudo que contraria malefícios da carne vermelha pode ter sido pago pela indústria pecuária

Há poucos dias, foi revelado um estudo que desafia décadas de investigação e também as diretrizes, consensuais, que recomendam que se reduza ao mínimo o consumo de carne vermelha.

Sabe-se agora que a investigação publicada na semana passada, e assinada por Bradley C. Johnston (um epidemiologista da Universidade Dalhousie, no Canadá), pode não passar de uma manobra comercial visando apoiar a indústria pecuária. Johnston, que liderou a “pseudo-investigação”, não referiu, em sede de conflitos de interesse, que tem vínculos com a indústria de carnes e alimentos, escreve o New York Times.

Recordemos o evento: um novo relatório, publicado esta semana no prestigiado Annals of Internal Medicine, atordoou cientistas e funcionários da saúde pública ao contradizer as diretrizes nutricionais de longa data sobre a limitação do consumo de carnes vermelhas e processadas. A análise, liderada por Bradley C. Johnston, concluiu que as advertências que ligam o consumo de carne a doenças cardíacas e cancro não eram apoiadas por evidência científica.

Bradley C. Johnston

Como seria de esperar, vários nutricionistas de renome internacional e organizações de saúde vieram a público criticar os métodos e as conclusões do estudo. Sem grande sucesso, Johnston e a sua equipa defenderam o trabalho, recusando que o estudo tenha sido realizado com financiamento externo.

Contudo, em dezembro de 2016, Johnston foi também o autor principal de um estudo semelhante que tentou desacreditar as diretrizes internacionais de saúde que recomendavam a população a consumir menos açúcar, aconselhando-as a fazer exatamente o oposto. Essa investigação, também publicada nos Annals of Internal Medicine, foi financiada pelo International Life Sciences Institute, um grupo comercial da indústria amplamente apoiado por empresas de agronegócios, alimentos e farmacêuticas e cujos membros incluíram McDonald’s, Coca-Cola, PepsiCo e Cargill, um dos maiores processadores de carne bovina da América do Norte. O grupo da indústria, fundado por um dos principais executivos da Coca-Cola há quatro décadas, tem sido acusado pela Organização Mundial da Saúde e outras organizações de saúde de tentar minar as recomendações de saúde pública para promover os interesses de seus membros corporativos.

MMM/TC/EQ

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