20 Ago, 2025

Enfermeiros pedem mais contratações para Lisboa, onde faltam mais de sete mil profissionais

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alerta para a carência de mais de sete mil enfermeiros na região de Lisboa e Vale do Tejo, defendendo melhores salários e condições de trabalho para atrair e fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde.

Enfermeiros pedem mais contratações para Lisboa, onde faltam mais de sete mil profissionais

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) reivindicou esta quarta-feira a contratação urgente de milhares de profissionais para os serviços de saúde da região de Lisboa, onde calcula estarem em falta mais de sete mil enfermeiros.

A denúncia foi feita no final da iniciativa “Volta a Lisboa”, uma caravana automóvel que passou pelos hospitais Fernando Fonseca, São Francisco Xavier, Santa Maria e São José, identificados pelo sindicato como alguns dos mais afetados pela carência de profissionais.

“Só na região de Lisboa e Vale do Tejo seriam necessários mais 7.106 enfermeiros”, afirmou a presidente do SEP, Isabel Barbosa, sublinhando que os números do Governo, baseados em dados de 2022, “já estão desatualizados” e que atualmente a carência é ainda maior. Na região, estima-se que trabalhem entre 15 a 16 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde.

Segundo o sindicato, a falta de profissionais leva ao encerramento de camas hospitalares. No Hospital de Cascais, por exemplo, estão encerradas 15 camas de cirurgia, enquanto em Vila Franca de Xira “faltam mais de 300 enfermeiros, de acordo com as dotações da Ordem dos Enfermeiros”. Situações semelhantes repetem-se noutros hospitais, como o de São José, onde 16 camas de neurocirurgia estão encerradas há meses, a que se juntam mais 12 camas em Medicina 1A e 1B.

Para o SEP, a resolução passa pela valorização da carreira de enfermagem, investimento em infraestruturas e equipamentos e aumento salarial. “Com equipas reduzidas, os serviços sobrevivem à custa de horas extraordinárias, ritmos de trabalho intensos e enfermeiros em exaustão e burnout”, afirmou Isabel Barbosa, citando também a mensagem levada aos hospitais: “Enfermeiros em Exaustão! Exigem + Contratação + Valorização + SNS”.

Entre as reivindicações estão ainda a progressão mais rápida na carreira e um sistema de avaliação de desempenho “mais justo”. Atualmente, a progressão demora oito anos – menos do que os dez exigidos anteriormente –, mas, segundo o SEP, continua a ser insuficiente.

O sindicato recorda que o salário de entrada na carreira ronda os 1.500 euros brutos e que “não há registo de enfermeiros a chegar ao topo da carreira”.

O SEP entregou um caderno reivindicativo ao Governo e vai reunir-se com o Ministério da Saúde a 3 de setembro para discutir soluções.

LUSA/SO

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