28 Nov, 2016

Doenças crónicas “roubam” anualmente 3,4 milhões de anos de vida produtivos

Portugal surge relativamente bem colocado No "ranking" dos países mais afetados pela mortalidade associada a doença crónica, com 170 mortes/100 mil habitantes (a média da UE é 201). Um rácio inferior ao registado em países como a Holanda, Alemanha, Grécia, Estónia, República Checa, entre outros

No conjunto dos 28 países que integram a União Europeia (EU), o impacto das doenças crónicas no mercado de trabalho, muitas delas associadas a fatores comportamentais de risco, incluindo obesidade, tabagismo e consumo nocivo de álcool são responsáveis pela morte prematura de mais de 550 milhões de pessoas com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos, a que correspondem cerca de 3,4 milhões de anos de vida produtivos potenciais perdidos. Um rácio de 200 morte por 100 mil habitantes nesta faixa etária, revela o relatório “Helath in a Glance 2016”, elaborado pela OCDE, divulgado hoje.

Doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes e problemas mentais graves têm também um impacto muito negativo no mercado de trabalho onde estas pessoas se inserem. Impacto que pode ir desde a dificuldade em conseguir um emprego, até a situações de reforma antecipada com a consequente diminuição de rendimentos.

No relatório, divulgado hoje, os especialistas da OCDE socorrem-se de dados recentes do inquérito SHARE – Survey of Health, Ageing and Retirement – que revelam que a taxa de emprego das pessoas de 50 a 59 anos com uma ou mais doenças crónicas é inferior à que se regista na população não afetada por qualquer destas doenças. O mesmo acontece relativamente à população obesa, fumadores ou com hábitos de consumo abusivo de álcool.

Os impactos no mercado de trabalho de problemas de saúde mental como a depressão são igualmente dramáticos: em todos os países europeus, as pessoas entre 50 e 59 anos que sofrem de depressão grave apresentam mais de duas vezes maior probabilidade de deixar o mercado de trabalho precocemente.

O peso das doenças crónicas nos gastos com prestações sociais é enorme: 1,7% do PIB europeu é gasto anualmente em prestações por deficiência e em baixas médicas. Muito mais do que a despesa com subsídios de desemprego.

De acordo com a OCDE, são necessários maiores esforços para prevenir as doenças crónicas na população em idade activa e é necessária uma melhor integração entre as políticas da saúde e do mercado de trabalho para reduzir os impactos negativos sobre o mercado de trabalho das doenças e contribuir para uma vida melhor e economias mais inclusivas.

No “ranking” dos países mais afetados pela mortalidade associada a doença crónica, a Bulgária lidera, com 411 mortes/100 mil habitantes com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos de idade. Seguem-se a Letónia, e a Lituânia, respetivamente com 400 e 372 mortes por 100 mil habitantes.

Portugal surge relativamente bem colocado, com 170 mortes/100 mil habitantes (a média da UE é 201), um rácio inferior ao registado em  países como a Holanda, Alemanha, Grécia, Estónia, República Checa, entre muitos outros.

Ver quadro em: http://dx.doi.org/10.1787/888933430238

 

MMM

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