24 Jul, 2018

Descoberto processo neurodegenerativo que desencadeia o Alzheimer

Investigação centrou-se na proteína Tau, que os cientistas acreditam ser responsável pelo início do processo neurodegenerativo que conduz ao Alzheimer.

Investigadores da Universidade de Southwestern, nos EUA, descobriram o primeiro ponto do processo degenerativo que conduz à demência, nomeadamente à doença de Alzheimer. Desta vez, a investigação centrou atenções na proteína Tau, que alguns cientistas acreditam ser a responsável pelo início da doença.

Os investigadores descobriram que as proteínas Tau formam aglomerados anormais no cérebro, chamados emaranhados neurofibrilares. Para o estudo, os investigadores extraíram proteínas tau de cérebros humanos e isolaram-nas umas das outras, tendo descoberto que a forma prejudicial da proteína tau expõe uma parte da mesma que se encontra normalmente dobrada para dentro. A parte exposta faz com que a proteína adira a outras proteínas tau, conduzindo à formação dos emaranhados tóxicos que vão matando os neurónios. Alguns cientistas acreditam que é este processo que desencadeia a doença de Alzheimer.

“Olhamos para isto como o ‘Big Bang’ da patologia Tau. Esta é uma maneira de olhar para o início do processo da doença. Isso leva-nos de volta a um ponto muito discreto, onde vemos o aparecimento da primeira mudança molecular que leva à neurodegeneração na doença de Alzheimer”, diz Marc Diamond, que liderou a equipa que realizou o estudo – publicado no site eLife.org.

Nos últimos anos, a convicção entre a comunidade científica era de que seria a agregação de uma proteína chamada beta-amilóide a principal causa patológica dos sintomas da doença. Contudo, depois de uma longa série de testes clínicos de medicamentos destinados a atacar as placas de beta-amilóide que se formam no cérebro, o foco vira-se agora para outras possibilidades, entre elas a investigação em torno da proteína Tau.

Um novo impulso para o diagnóstico precoce

Esta descoberta pode vir a revelar-se um passo fundamental na deteção precoce da doença. O primeiro passo pode passar pela criação de um teste de diagnóstico simples, que permita detetar a presença em quantidades anormais da proteína Tau no cérebro. Assim, a doença poderia ser diagnosticada antes que os principais sintomas degenerativos se instalem.

Paralelamente, esta investigação abre também portas para explorar tratamentos que possam interromper o processo de agregação das proteínas Tau. “Esta nova abordagem está já a permitir que se estudem novos medicamentos que sejam eficazes no bloqueio do processo de neurodegeneração… logo no início deste. Se funcionar, a incidência da doença de Alzheimer pode ser substancialmente reduzida. Isso seria incrível”, perspetiva Marc Diamond.

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