1 Mar, 2018

Descoberto mecanismo de resposta imunitária a fungo mortal

O fungo, denominado por "Aspergillus fumigatus", mata 200 mil pessoas por ano e provoca doenças pulmonares e alérgicas em milhões de outras.

Da equipa internacional que fez a descoberta, fazem parte a Universidade do Minho, o Instituto Português de Oncologia do Porto e o Hospital Universitário de Santa Maria da Universidade de Lisboa.

A investigação, liderada pelo MRC Center for Medical Mycology da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, e publicada na revista Nature, explica a resposta imunitária àquele organismo. O recetor agora identificado “reconhece um pigmento específico do fungo chamado melanina”.

Em Portugal, o trabalho foi coordenado pelo Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, tendo sido identificadas mutações neste recetor que aumentam o risco de contrair infeções em doentes submetidos a transplante em cerca de 25%. “Esta descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico e terapias personalizadas para combater esta infeção”, salienta a UMinho, que refere ainda que “a infeção causada por este micro-organismo é uma das complicações que mais preocupa os doentes submetidos a tratamentos médicos complexos, como transplante de medula, sendo fatal em metade dos casos”. Os investigadores o ICVS Agostinho Carvalho e Cristina Cunha apontam ainda que se acredita que aquele fungo “seja responsável por uma série de doenças pulmonares, incluindo a asma, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo”.

Os investigadores explicam também que o trabalho desenvolvido permitiu melhorar o nível de conhecimento do sistema imunitário. “Respiramos diariamente centenas de esporos deste fungo, embora sem consequências graves. No entanto, em situações de debilidade do sistema imunitário esta infeção é fatal na maioria dos casos. Esta investigação permitiu melhorar o conhecimento sobre como o nosso sistema imunitário responde a este micro-organismo, sendo esta informação crucial para melhorar a capacidade de diagnosticar a sua presença em pessoas infetadas e conceber novas terapias capazes de ajudar no tratamento desta doença complexa”, realça Agostinho Carvalho.

O estudo envolveu ainda o National Institute of Allergy and Infectious Diseases, o National Institutes of Health (ambos dos EUA), o Instituto Pasteur (França), o Imperial College London (Reino Unido), a Universidade Friedrich Schiller de Jena (Alemanha) e o Centro Médico da Universidade Radboud (Holanda).

LUSA/SO

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