4 Fev, 2022

De que modo a pandemia prejudicou os diagnósticos de cancro em Portugal?

A quebra no número de exames de rastreio promovidos sugere que muitos casos de novos cancros ficaram por identificar.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) desenhou um retrato preocupante da realidade oncológica a nível nacional no contexto pandémico de covid-19. De acordo com as suas estimativas, o cancro matou em Portugal 30 168 pessoas em 2020, número que tenderá a crescer nos próximos anos face aos atrasos do diagnóstico e tratamento.

Os dados sugerem que muitos casos de novos cancros ficaram por identificar durante os últimos dois anos de pandemia. No que concerne o programa de rastreios oncológicos nos cuidados de saúde primários (CSP), houve menos 18% de mulheres com mamografia realizada, menos 13% de mulheres sem registo de colpocitologia atualizada e menos 5% de utentes com rastreio do cancro do colon e reto.

As restrições resultantes da pandemia obrigaram à suspensão do programa de rastreio de cancro da mama durante seis meses, o que teve consequências significativas nos números de exames promovidos: enquanto em 2019 foram efetuadas 339 164 mamografias nas unidades móveis e fixas, em 2020 foram realizadas apenas 170 mil. No entanto, em 2021, já se observou uma normalização do número de mulheres rastreadas (353 062 mil).

Ainda, especificamente nos casos de cancros mais agressivos, como o cancro do pulmão, intestino e fígado, verificarem-se diagnósticos mais tardios, o que compromete a adoção precoce de tratamentos. Também no mesmo sentido, a LPCC também alerta para a diminuição da capacidade assistencial nos CSP face ao desvio de cuidados para a pandemia.

Por consequência da suspensão de juntas médicas, também o tempo de espera pela emissão de atestados de incapacidade multiuso ao doente oncológico aumentou nos últimos dois anos, havendo ainda doentes a aguardar há mais de dois anos por este documento tão essencial para o acesso aos seus benefícios.

Perante este retrato, a LPCC defende que é importante e urgente que se verifique uma reorganização do sistema nacional de saúde em defesa do doente e uma maior aposta em programas de prevenção, deteção precoce e tratamento do cancro em Portugal.

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