27 Abr, 2018

Coordenador do grupo que estuda transferência do Infarmed para o Porto ameaçou demitir-se

Henrique Luz Rodrigues acabou por recuar depois de ter recebido a garantia da parte da direção do Infarmed de que a comissão de peritos terá acesso a toda a informação pedida. Situação no Infarmed pode complicar-se: podem estar de saída cerca de 50 trabalhadores.

Henrique Luz Rodrigues, o coordenador do grupo de trabalho criado para estudar a deslocalização do Infarmed de Lisboa para o Porto, ameaçou deixar o cargo esta quinta-feira, alegando que a direção do Infarmed estaria a impedir o acesso a alguns dados essenciais para avaliar a medida. No entanto, como avança o jornal Público, após uma reunião com o ministro da Saúde, Henrique Luz Rodrigues aceitou continuar à frente da comissão de peritos.

“Não estava a haver, da parte do conselho directivo do Infarmed, disponibilidade para ajudar e o grupo tem que produzir um relatório muito rigoroso e bem fundamentado”, disse Luz Rodrigues ao Público. O relatório, que tem de ser entregue até ao final de junho, deve conter propostas para a deslocalização dos serviços da Autoridade Nacional do Medicamento e avaliação dos riscos da mudança ao nível do impacto económico e dos recursos humanos.

No entanto, o coordenador do grupo de trabalho recuou na intenção de se demitir depois de ter recebido a garantia por parte da direção do Infarmed de que a situação iria ser desbloqueada, sendo fornecida à comissão toda a informação necessária. Também o próprio ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, se comprometeu a acelerar todo o processo e assegurou, segundo o Expresso, uma maior colaboração de todas as partes envolvidas no processo.

Já o Infarmed nega que tenha havido qualquer entrave ao trabalho do grupo de peritos e garante, em comunicado, que, desde o início, “tem respondido a todas as solicitações que lhe foram feitas”.

O grupo de trabalho, criado no final do ano passado e que se tem reunido periodicamente em várias cidades do país, aguarda ainda o resultado de uma avaliação externa – que foi adjudicada a um consórcio constituído pela Porto Business School, o Instituto Superior Técnico e o Inesc (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores) – que ajudará os peritos a fazer o cruzamento de dados tendo como base informação isenta.

Entretanto, parece estar a intensificar-se a vontade de muitos trabalhadores saírem da instituição. Pelo menos 30 técnicos estão a concorrer à Agência Europeia do Medicamento. Se a estes juntarmos as cerca de 20 pessoas que pediram mobilidade para outros serviços do Estado, o Infarmed arrisca perder 50 dos seus 350 profissionais.

Ao Expresso, um representante dos trabalhadores diz que “as equipas já são reduzidas e a saída de elementos terá um grande impacto”, acrescentando que “é muito difícil fazer a substituição porque são áreas muito específicas e que requerem pessoas com grande experiência”. A situação pode complicar-se ainda mais, uma vez que a Autoridade Nacional do Medicamento terá de dar resposta a entre 25% e 30% dos processos tratados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) enquanto decorrer o período de mudança desta agência de Londres para Amesterdão.

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