Coordenador da reforma do SNS diz que futuro passa por prestar cuidados em casa

Manuel Lopes acredita que se vai assistir a uma mudança de paradigma mas critica a mais de 3000 vagas que estão por preencher em equipas de Cuidados Continuados.

O coordenador nacional da reforma do Serviço Nacional de Saúde na área dos Cuidados Continuados Integrados defendeu esta quarta-feira, em Coimbra, que o futuro do setor passa pela prestação de cuidados em casa.

Segundo Manuel Lopes, que falava no Encontro “Cuidar em Casa”, promovido pela Administração Regional de Saúde do Centro, cuidar em casa vai ser “um dos mais importantes complementos aos restantes cuidados e, provavelmente, vai ser aquele que mais se vai desenvolver nos tempos mais próximos”.

“É uma mudança de paradigma, não tenho dúvidas nenhumas sobre isso, e estou em crer que vai cumprir alguns critérios muito interessantes: torna os cuidados mais baratos, com menos riscos [do que nos hospitais] e, ao mesmo tempo, vai aumentar a satisfação dos doentes com os cuidados”, disse à agência Lusa.

De acordo com Manuel Lopes, existem atualmente cerca de 3.000 vagas nas Equipas de Cuidados Continuados Integrados que não estão a ser preenchidas por falta de referenciação das unidades de saúde, Segurança Social e instituições de solidariedade social.

“Isto preocupa-nos, porque queremos que estas equipas estejam a ser utilizadas na sua total capacidade”, sublinhou o responsável, referindo que, no caso das unidades de institucionalização, não existem vagas.

Manuel Lopes entende que são necessárias mais Equipas de Cuidados Continuados Integrados no país, mas defendeu que enquanto estas vagas não forem totalmente ocupadas, ou a pelo menos 85%, tem dificuldade em dizer que são precisas mais.

“Eu sei que a população precisa, tenho esses dados, mas se as equipas não estão a ser usadas”, coloca-se a questão de se estarem a canalizar recursos que não são usados e que são necessários noutros contextos, enfatizou.

Atualmente, são cuidados em casa mais de 6.000 pessoas diariamente, um número que tem vindo a aumentar, de acordo com Manuel Lopes, que considera ser esta a forma de, no futuro, cuidar das pessoas com dependência e multimorbilidade e “um dos mais importantes complementos aos restantes cuidados”.

O coordenador nacional da reforma do SNS na área dos Cuidados Continuados Integrados disse ainda que, em breve, vai sair um manual de orientações para os profissionais de saúde apoiarem os cuidadores informais, “que estão a assumir um papel muito importante”.

“Se olharmos para as pessoas que estão a ser ajudadas pelas Equipas de Cuidados Continuados Integrados temos mais de 6.000 cuidadores informais, mas há quem diga que o número de cuidadores informais no país ultrapassa os 50 mil”, frisou.

Também esta quarta-feira a presidente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), Rosa Reis Marques, anunciou que vai ser aumentada este ano a capacidade da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados na região Centro, com mais 142 camas.

Na sua intervenção, Rosa Reis Marques considerou “razoável” a resposta da rede na região Centro, onde existem 65 unidades de internamento com 2.291 camas nas diferentes tipologias de cuidados e 66 equipas domiciliárias, com 846 lugares.

Relativamente às Equipas de Cuidados Continuados Integrados no domicílio, a presidente da ARSC adiantou que está em curso o reforço dos recursos humanos, com a colocação de mais 103 enfermeiros nas unidades de Cuidados de Saúde Primários, que efetuam a referenciação dos doentes.

O encontro “Cuidar em Casa” debateu a importância de levar os cuidados continuados integrados a casa do doente, evitando, sempre que possível, a sua deslocação.

LUSA/SO

ler mais

RECENTES

ler mais