Consumo de álcool na gravidez afeta função renal das crianças

Estudo que avaliou crianças portuguesas aos 7 anos concluiu que mesmo uma pequena quantidade álcool tem efeitos negativos na função renal.

O funcionamento dos rins das crianças filhas de mães que consumiram álcool durante a gestação pode ser afetado, adianta o jornal Público. A conclusão é de um estudo feito pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e que envolveu mais de mil crianças portuguesas.

Os investigadores descobriram que o efeito é tanto maior quanto mais elevada for a quantidade de álcool ingerida durante a gravidez. A análise a 1093 crianças que nasceram em maternidades públicas na zona metropolitana do Porto mostrou que o efeito é particularmente evidente a partir dos 40 gramas de álcool por semana, ou seja, o equivalente a quatro cervejas.

A equipa sublinha que a ingestão de bebidas alcoólicas contribui para a redução do número de nefrónios, estruturas que filtram o sangue. Liane Correia Costa, primeira autora do trabalho, e restantes colegas optaram por fazer uma recolha de sangue das crianças aos 7 anos de idade (que usaram para analisar dois marcadores, a creatinina e a cistatina C). Depois, questionaram as mães sobre o consumo de álcool durante a gestação.  Da amostra analisada, 13% disse ter consumido álcool durante a gravidez.

“Percebemos que as crianças de mães que consumiram álcool tinham uma taxa de filtração glomerular inferior e que há um efeito de dose dependente. Quanto maior o consumo de álcool, mais decresce a taxa de filtração glomerular”, explica Liane Correia Costa, médica na unidade de nefrologia pediátrica do Centro Hospitalar e Universitário do Porto.

O estudo, publicado na revista Pediatric Nephrology, sugere também a forma como o consumo de álcool afeta os rins pode agravar-se se a crianças tiver excesso de peso ou for obesa. Quando a este factor acresce a presença de excesso de peso, o risco de evolução para doença renal crónica parece ser significativamente superior”, diz a especialista, que alerta que a “ideia de que a grávida pode beber se for um copo pequeno é totalmente errada”.

TC/SO

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