25 Jun, 2026

ChemSex Talks defendem formação e redução do estigma para melhorar resposta ao chemsex

Profissionais de saúde, especialistas em saúde mental, representantes da sociedade civil e peritos internacionais defenderam, nas reuniões ChemSex Talks, a necessidade de reforçar a formação, reduzir o estigma e promover respostas integradas para melhorar a abordagem ao fenómeno do chemsex.

ChemSex Talks defendem formação e redução do estigma para melhorar resposta ao chemsex

As reuniões ChemSex Talks reuniram, em Lisboa e no Porto, profissionais de saúde, especialistas em saúde mental, representantes de organizações da sociedade civil e peritos internacionais para debater os desafios associados ao chemsex e promover uma resposta mais integrada e multidisciplinar a esta realidade.

A iniciativa foi promovida pela Gilead Sciences no âmbito do seu compromisso com uma abordagem ao VIH centrada na pessoa e nas suas necessidades ao longo da vida.

O chemsex, definido como o uso intencional de substâncias psicoativas para potenciar ou prolongar as relações sexuais, é uma realidade cada vez mais reconhecida pelos profissionais de saúde devido ao seu potencial impacto na saúde sexual, na saúde mental e na qualidade de vida das pessoas envolvidas.

Durante as sessões, especialistas de diferentes áreas sublinharam a necessidade de reforçar a capacitação dos profissionais de saúde para uma abordagem mais eficaz do fenómeno. Apesar da crescente consciencialização sobre o tema, os participantes referiram que o chemsex continua frequentemente ausente das consultas, quer devido à falta de tempo e de formação específica dos profissionais, quer pelo receio das pessoas em abordar estas práticas por causa do estigma associado.

Entre as principais conclusões dos encontros destacou-se a importância de promover ambientes clínicos assentes na confiança, na escuta ativa e numa comunicação livre de julgamento, de forma a favorecer a identificação precoce de situações de risco e o acesso a apoio adequado.

Os participantes salientaram também o papel das organizações de base comunitária na proximidade às populações mais vulneráveis, no desenvolvimento de estratégias de redução de danos e na criação de respostas complementares aos cuidados prestados pelo Serviço Nacional de Saúde.

As ChemSex Talks deram ainda destaque a soluções práticas para apoiar a atuação dos profissionais de saúde, nomeadamente a apresentação de um algoritmo clínico desenvolvido pelo Grupo de Estudo da SIDA (GeSIDA) e pela Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS), com a colaboração da Gilead Sciences.

Segundo os promotores, esta ferramenta pretende facilitar a deteção precoce, a avaliação multidimensional e o acompanhamento coordenado de pessoas com VIH que praticam chemsex, propondo uma abordagem multidisciplinar centrada na pessoa e baseada na integração entre diferentes níveis de cuidados.

Entre as recomendações apresentadas incluem-se a inclusão sistemática de perguntas sobre chemsex na prática clínica, a avaliação da saúde mental e dos determinantes sociais, o reforço da adesão terapêutica e a ligação a recursos comunitários e de apoio psicossocial.

As conclusões dos encontros apontam para a necessidade de continuar a investir na educação médica, na redução do estigma e no desenvolvimento de respostas coordenadas que integrem saúde sexual, saúde mental e apoio comunitário, com o objetivo de melhorar os resultados em saúde e a qualidade de vida das pessoas com VIH.

SO/COMUICADO 

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