4 Set, 2020

Centros de saúde. Ministério continua a permitir retoma a várias velocidades

Alguns centros de saúde já retomaram a atividade em pleno, outros não. Ministério não avança com data para todos voltarem à normalidade. Utentes e médicos criticam processos.

A retoma da atividade assistencial nos centros de saúde ainda decorre a várias velocidades. Cada unidade de saúde tem autonomia para decidir manter as consultas já programadas, adiá-las, fazê-las telefonicamente (nos casos em que o médico assim o decida) ou recusar agendamentos.

Questionado pelo SaúdeOnline sobre as dificuldades que muitos doentes sentem no acesso aos cuidados de saúde primários, o Ministério da Saúde, através do gabinete de Marta Temido, esclarece que “a retoma da atividade assistencial tem que ter sempre em consideração o risco epidemiológico e evolução da pandemia e adequação da capacidade de resposta”.

Desta forma, dentro do mesmo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES), poderá haver grandes assimetrias na atividade assistencial das diferentes unidades. Até “no mesmo centro de saúde há realidades diferentes”, dependendo do tipo de consultas, adianta Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

 

Faltam equipamentos e recursos humanos

 

As dificuldades diferem de unidade para unidade. Alguns centros de saúde deparam-se com falta de equipamentos e de espaço para se adaptarem às exigências trazidas pela pandemia. Outros, principalmente, os que se situam em concelhos ou regiões particularmente afetados pela Covid-19, tiveram de deixar a atividade clínica programada para segundo plano de modo a alocar os recursos humanos ao combate à pandemia, nomeadamente ao seguimento e controlo das cadeias de transmissão.

“A retoma progressiva das consultas presenciais está a andar a várias velocidades ao longo do país devido às assimetrias das lideranças, dos recursos humanos e materiais”, diz Diogo Urjais, enfermeiro e presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, em declarações ao DN. 

Muitos utentes contestam a demora no retomar da normalidade. Acumulam-se as queixas relativas à dificuldade em marcar consultas, por exemplo, uma vez que as linhas estão constantemente sobrecarregadas com chamadas e, em muitas unidades, há carência de assistentes operacionais.

O médico Rui Nogueira critica a obrigação de os médicos telefonarem a cada um seus utentes infetados com SARS-CoV-2, mesmo que estejam assintomáticos e defende uma atualização dos processos, numa altura em que a fase mais crítica de contágio já foi ultrapassada. Os médicos chegam a fazer “50 telefonemas por dia, o que é uma loucura“, diz Rosa Ribeiro, da Federação Nacional dos Médicos.

Perante isto, o Ministério da Saúde não avança com uma data para os centros voltarem a funcionar em pleno em todo o país. Diz apenas que, “no que se refere ao atendimento nos CSP, este poderá ser preferencialmente presencial em zonas do país e unidades do SNS onde não se verifique maior risco epidemiológico, sendo mais recomendado o atendimento por meios alternativos não-presenciais em caso de reforço de medidas sanitárias de segurança”.

TC/SO

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