Casos sociais com “tempos de estadias muito elevados” nos hospitais

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares reconhece que […]

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares reconhece que os casos sociais continuam com “tempos de estadias muito elevados” nos hospitais, uma situação que urge resolver por causar “problemas graves” nas instituições e colocar em risco os doentes.

“Nos hospitais portugueses desempenhamos também um papel de natureza social e, muitas vezes, quando não existem respostas da comunidade ou outros tipos de resposta, os hospitais acabam por assumir alguma responsabilidade sobre o acompanhamento de doentes que não necessitam de cuidados clínicos”, disse à agência Lusa Alexandre Lourenço.

Por esta razão, “continuamos a ter tempos de estadias nos hospitais muito elevados” de doentes que esperam por uma resposta da Segurança Social, dos cuidados continuados ou da família, uma situação que “deve ser evitada” e “resolvida, porque leva a problemas graves dentro das instituições”.

Entre os problemas, Alexandre Lourenço apontou o risco da infeção hospitalar: “Quanto mais tempo um doente estiver no hospital, maior a probabilidade de ser infetado por um vírus, uma bactéria ou um fungo”, o que obrigará a uma continuidade de cuidados.

Outro problema prende-se com a ocupação das camas, o que pode impedir que outros doentes tenham acesso a cuidados de saúde.

“Muitas vezes, quando falamos de tempos de espera para cirurgia devemos ter em consideração que, cada vez que um doente estiver a ocupar uma cama, outro doente não poderá ser operado”, elucidou.

Por outro lado, esta ocupação leva a uma utilização excessiva de recursos que podem ser utilizados em outras áreas da prestação de cuidados de saúde com “melhor efetividade”, defendeu Alexandre Lourenço.

Só este ano, até novembro, o Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) registou, nas suas seis unidades hospitalares (S. José, S. Marta, D. Estefânia, S. António dos Capuchos, Curry Cabral e a Maternidade Alfredo da Costa), 198 casos de doentes que tiveram a sua alta adiada por motivos sociais, situações que demoraram, em média, 21 dias a ser resolvidas.

Em 2015, foram registados 290 casos, mais dois face ao ano anterior, segundo dados avançados à Lusa.

As dificuldades das famílias em assumir o papel de cuidador, problemas económicos, “falta de resposta atempada” da rede social formal e a dependência física e cognitiva dos doentes são motivos apontados pelo centro hospitalar para estas situações.

Quando se trata de crianças e jovens, os motivos prendem-se principalmente com a aplicação de medidas de proteção, a inexistência de rede social informal (família, amigos, vizinhos) e desestruturação familiar.

Para solucionar estes casos, os assistentes sociais procuram a integração em lares, o acolhimento em instituições de menores e subsídios para o cuidador, apoio domiciliário e centro de dia.

Este problema também se regista no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO), que engloba os hospitais de S. Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz, onde foram contabilizados, até novembro, 60 casos. Em 2014 tinham sido 46 e no ano seguinte 69.

Segundo o CHLO, estes casos foram encaminhados para instituições de solidariedade social.

Já no Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António encontram-se 35 doentes com alta clínica à espera de solução para sair do hospital.

“Muitos são idosos residentes no centro histórico do Porto e sem retaguarda familiar”, cuja solução passa pelo encaminhamento para instituições da Segurança Social.

O Centro Hospitalar de São João informou que, até à data, não tem conhecimento de doentes com alta clínica que permaneçam no hospital sem que alguém os venha buscar.

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