20 Jun, 2018

Body Interact, o simulador de pacientes reais

Tecnologia inovadora promete ajudar os jovens médicos e estudantes a treinar a prestação de cuidados médicos. O software, que já está a ser utilizado há cinco anos na Universidade do Minho (em Braga), dá feedback das acções realizadas e permite levar a discussão de casos clínicos para outro patamar.

Há poucas décadas – não muitas – os médicos internos e, sobretudo, os estudantes de medicina estavam limitados a nível do treino. Treinava-se auscultação cardíaca e pouco mais. Os médicos e os enfermeiros eram obrigados a serem pacientes uns dos outros, usados pelos colegas para testar determinada solução clínica. Atualmente, isso já não é necessário, uma vez que já é possível utilizar a tecnologia a favor do treino.

Uma empresa de Coimbra – a Take the Wind – desenvolveu, juntamente com a Escola de Medicina da Universidade de Minho (UM), uma plataforma digital que é, na verdade, um simulador de pacientes reais – chama-se Body Interact. A grande vantagem desta tecnologia é permitir a simulação de cuidados médicos a pacientes, ao mesmo tempo que se pode, em tempo real, acompanhar a reação do modelo, isto é do paciente, aos tratamentos/ações a que é sujeito pelo médico.

“Permite dar-lhe uma prescrição, pedir exames e permite-nos tomar decisões à medida que as coisas vão evoluindo, vermos o que acontece com a medicação”, explica ao SaúdeOnline o professor João Cerqueira, diretor do curso de medicina da universidade do Minho. O Body Interact permite também compilar resultados de procedimentos e avaliar a performance do profissional de saúde

Professor João Cerqueira

A tomada de decisão clínica é uma componente fundamental no exercício da profissão de um médico. Se antes o treino da decisão clínica só podia ser feito através da apresentação estática do caso clínico num papel ou num power point, agora a discussão entre os estudantes sobre a melhor terapêutica a administrar ao doente, por exemplo,é acompanhada pelos resultados em tempo real. “Isto é um programa de computador que faz esta simulação e que reage àquilo que vamos fazendo: damos-lhe medicação e ele fica pior (ou melhor) e isto permite treinar o raciocínio”, acrescenta João Cerqueira.

“É um instrumento muito importante para treinar o raciocínio clinico, é muito importante no treino dos estudantes de medicina, ainda antes de serem médicos. É também para os jovens médicos, para os introduzir numa determinada especialidade e nas especificidades do raciocínio clínico dessa especialidade”, afirma João Cerqueira, que, para além de dirigir o curso de medicina, é também professor de Neurologia e trabalha com esta tecnologia há já cinco anos.

A UM promove todos os anos um curso de introdução à neurologia, por onde passam quase todos os internos do país. Ali “aprendem a usar várias técnicas de simulação” com base no Body Interact. Pelo carácter inovador e pelas mais valias que esta tecnologia demonstra no auxílio à formação de médicos internos de neurologia, com enfoque muito particular no caso da Esclerose Múltipla, por exemplo, o projeto já está a ser adoptado noutros países, através da equipa da Biogen Portugal.

O simulador de doentes Body Interact é destinado, principalmente, a estudantes de Medicina e médicos internos.

O objetivo último é diminuir os erros de dignóstico médico, na quantidade ou no tipo de medicação prescritos ao doente, por exemplo, de modo a melhorar a prática médica e, deste modo, garantir a melhor terapêutica possível ao doente. Para já, ainda não é possível perceber se o Body Interact permitiu (ou não) melhorar a prática clínica: a tecnologia só está em funcionamento na Universidade do Minho desde 2013 e por isso o universo de médicos treinados ainda é insuficiente.

“E além disso, é difícil avaliar porque também não é muito fácil arranjar grupos comparadores. No caso dos alunos seria preciso comparar todos os alunos que têm passado por isto. Há tantas variáveis em jogo que é difícil comparar. E, do ponto de vista dos internos, como a maioria deles passa por pela UM também não temos grupo comparador. Agora, isto é um momento de aprendizagem intensa e que as pessoas, quando saem de lá, têm mais consciência daquilo que não fazem bem e porque é que não fazem bem”, garante João Cerqueira. Esta tecnologia está a funcionar desde março do ano passado no Centro Hospitalar da Cova da Beira.

Saúde Online

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