30 Out, 2017

Beneficiários da ADSE podem vir a pagar mais por consultas no privado

A partir de janeiro, os beneficiários podem passar a pagar mais 1,51 euros nas consultas de clínica geral no privado e mais 1,01 euros nas de especialidade.

A proposta do conselho diretivo da ADSE, que foi enviada ao conselho geral e de supervisão para apreciação, prevê que, a partir de janeiro, os beneficiários do sistema de saúde da função pública que recorram aos privados com acordo com a ADSE passem a pagar 5 euros por consulta em ambos os casos. Se a proposta for adiante, também os encargos suportados pela ADSE com as clínicas privadas poderão subir 4,03 euros nas consultas de clínica geral e 0,53 euros nas de especialidade, para 20 euros.

Já a tabela de medicina dentária “foi totalmente reformulada”, apresentando novos atos médicos, e as simulações efetuadas apontam para acréscimos de encargos para a ADSE e para os beneficiários “em média acima dos 25%”, lê-se na proposta.

Segundo o documento assinado pelo presidente da ADSE, Carlos Baptista, a proposta “procura introduzir mecanismos de combate à fraude” no caso dos transportes, nas cirurgias de preços globais, na faturação de medicamentos durante o internamento e tratamentos do foro oncológico.

Além disso, “permite criar limites à faturação” apresentada pelas entidades convencionadas, acrescenta o responsável pela ADSE.

Já nas consultas de medicina dentária, o acréscimo é justificado pelo facto de existir um “tratamento discriminatório” devido ao preço “pouco atrativo” que é praticado, já que o mesmo não é atualizado há, pelo menos, 18 anos, lê-se no documento.

“Com esta atualização de valor estamos a procurar ajustar o preço praticado pela ADSE ao limite inferior do mercado, mas tal objetivo apenas se vai conseguir num prazo de três anos”, explica Carlos Baptista.

Para o dirigente sindical José Abraão, que tem assento no conselho geral e de supervisão da ADSE, a subida do preço das consultas para os beneficiários “é inaceitável”, uma vez que todos os meses estes descontam 3,5% do seu rendimento para aquele sistema de saúde. Por outro lado, Abraão admite “eventuais acréscimos” nos pagamentos da ADSE aos convencionados, por forma a potenciar o número de prestadores de serviços de saúde aos beneficiários.

LUSA/SO/SF

 

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