29 Ago, 2018

Associação revela que apenas três hospitais estão a apoiar doentes com ictiose

A presidente da Associação Portuguesa dos Portadores de Ictiose (ASPORI) revelou à Lusa que apenas três hospitais estão a cumprir a portaria do Governo de suportar na íntegra os custos dos produtos para os doentes.

Emitida a 26 de janeiro de 2018, a portaria do Ministério da Saúde (MS) visa resolver os problemas dos portadores daquela doença de pele incurável, passando para o Estado os custos, que segundo Vera Beleza, “rondam os 500 euros mensais por doente” na aquisição dos produtos.

“Desde que foi emitida a portaria, apenas os hospitais de São João, no Porto, Santa Maria, em Lisboa, e o de Castelo Branco estão a cumprir e a fornecer os medicamentos aos portadores da doença”, revelou a responsável da ASPORI, esta segunda-feira, estimando que existam cerca de 350 cidadãos portadores de ictiose em Portugal.

Segundo Vera Beleza, “dos restantes hospitais não foi dada nenhuma indicação aos doentes sobre quando iriam começar a fornecer gratuitamente os produtos”.

Depois de ter “esperado cerca de três meses” pela aplicação plena da decisão do Governo, a responsável disse à Lusa ter “questionado o ministério e o INFARMED sobre o atraso”, lamentando “nunca ter obtido qualquer resposta”.

A ictiose, explicou a presidente da ASPORI, é uma “doença incurável, congénita, mas não contagiosa”, que se manifesta ao nível da pele, fazendo com que fique “seca e escamosa”, sendo que a sua evolução implica para os seus portadores a “perda de algumas faculdades”.

Com o avançar da doença, os portadores de ictiose precisam de “tratamento dentário e ótico, uso de calçado adequado e de aparelhos auditivos, bem como tratamento termal”, acrescentou.

“Ainda recentemente, devido ao surto de calor em Santarém, os nossos associados passaram mal porque não tiveram como aceder ao tratamento”, denunciou a dirigente.

A Lusa procurou obter reações junto do Ministério da Saúde e do INFARMED, mas até ao momento tal não foi possível.

De acordo com informação disponível na página da Internet da Associação, que tem morada em Matosinhos, distrito do Porto, a ASPORI foi criada a 24 de abril de 2009, “na sequência de um movimento cívico protagonizado por nove membros fundadores, sendo a maioria doentes ou pais de doentes com ictiose”.

LUSA/SO

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