10 Jan, 2022

Artrite Reumatoide. “A abordagem multidisciplinar é fundamental para conseguir o melhor resultado”

Ao SaúdeNotícias, o coordenador nacional do Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes (NEDAI), António Marinho, caracterizou a artrite reumatoide e reforçou a importância de o utente ter acesso a cuidados multidisciplinares para tratar a doença.

O que é a artrite reumatoide (AR)?

A AR é a doença reumática autoimune mais comum no mundo. Esta doença caracteriza-se pelo envolvimento articular por um processo inflamatório crónico que provoca dor, destruição articular e incapacidade funcional. Sendo uma patologia sistémica, acompanha-se de mortalidade precoce, em especial por motivos relacionados com eventos cardiovasculares.

Em Portugal, teremos cerca de 100 mil doentes reumatoides, o que corresponde entre 0,8% a 1,2% da população, sendo estes números transversais a nível mundial.

Quais são os sintomas associados a esta condição?

Os principais sintomas são os articulares, manifestando-se por uma marcada incapacidade funcional matinal, tumefação e dor de pequenas e grandes articulações.

Como se pode diagnosticar esta doença?

O diagnóstico é essencialmente clínico, sendo a rigidez articular matinal e a tumefação e dor articular as principais pistas. Estes sintomas devem ser complementados com a análise das proteínas de fase aguda da inflamação e com o fator reumatoide e anticorpos anti péptidos citrulinados (estes últimos são negativos até cerca de 1/3 dos doentes, pelo que a sua negatividade não exclui o diagnóstico).

É possível prevenir o seu desenvolvimento?

Infelizmente, ainda não é possível prevenir o seu aparecimento. No entanto, esta doença é mais comum e mais grave em fumadores e pessoas com hábitos sedentários com alimentação rica em lípidos saturados e proteínas.

Qual é o impacto desta doença na vida dos seus portadores?

O diagnóstico tardio e o mau controlo crónico da doença podem levar a uma destruição articular precoce e à incapacidade funcional total. Por esse motivo, o diagnóstico muito precoce e um tratamento agressivo são medidas fundamentais para o controlo global da doença e manter o doente totalmente funcional.

Quais são os tratamentos disponíveis?

A AR tem atualmente três classes de fármacos disponíveis: imunossupressores convencionais sintéticos como o metotrexato que é o fármaco “âncora” da doença, biotecnológica como os anti-TNF e imunossupressores sintéticos específicos como os inibidores da Janus Cinase.

Porque é importante uma abordagem multidisciplinar para tratar a AR?

A abordagem multidisciplinar é fundamental. São necessárias equipas que envolvam internistas/reumatologistas, infeciologistas, bem como especialistas de Medicina Física e de Reabilitação e Medicina Geral e Familiar (MGF). O utente deve ter acesso a equipas de prevenção de infeção, de gestão específica da doença, de abordagem das comorbilidades e de medidas físicas. Apenas assim é possível conseguir o melhor resultado final.

SN

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