21 Fev, 2018

Área da psicologia foi a mais procurada pelos utentes de um centro de apoio à comunidade LGBT em 2017

O Centro Gis, em Matosinhos, criado pela Associação Plano i e para prestar apoio à comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais), registou mais de mil atendimentos em 2017, sendo a área da psicologia a mais procurada pelos seus utentes.

Contando atualmente com 155 utentes, dos quais mais de metade são pessoas trans, a instituição de Matosinhos, distrito do Porto, foi na área da psicologia que mais sentiu a procura dos seus utentes, explicando à Lusa a coordenadora Paula Allen que tal ficou a dever-se à “necessidade de encontrar uma estabilidade psicoemocional, para depois garantir o resto”.

“Enquanto a pessoa não se sentir capaz de trabalhar as suas angústias e preocupações, não será capaz de conseguir o resto”, acrescentou Paula Allen, antes de falar de um novo projeto, nascido a meio de 2017, e que consistiu na criação de grupos de terapia gays e trans.

“Nestes grupos, diferenciados, abrimos o espaço para que cada um, com pessoas que pensam da mesma forma, pudesse partilhar os seus problemas, escutando os dos outros, falando de temas como a saúde sexual e reprodutiva, a masturbação, o corpo e a autoconfiança, entre outros”, descreveu a também psicóloga.

No Centro Gis, os utentes encontram respostas em áreas como a psiquiatria, endocrinologia, psicologia, além do apoio jurídico, numa oferta alargada com a entrada de voluntários que, “nomeadamente nas ações externas, ajuda nas campanhas de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis”, acrescentou.

Segundo a responsável, o Centro Gis foi uma das entidades cooptadas para o debate na Assembleia da República sobre a revisão da Lei nº7/2011, que, criticou, obriga, entre outras coisas, à necessidade de uma “pessoa trans ser avaliada por profissionais para obtenção de um relatório médico que ateste aquilo que ela sabe perfeitamente que é”.

Paula Allen contesta ainda que o início do “procedimento médico só possa ocorrer aos 18 anos, o que leva a que a infância e, sobretudo, a adolescência sejam vividas em enorme sofrimento”, mostrando-se convicta de que alteração da lei “seja ainda este ano”, uma vez analisada pela subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Caso venha a suceder, explicou, “as pessoas trans deixarão de necessitar do relatório médico e a partir dos 16 anos poderão iniciar o processo medicamentoso por sua vontade”.

O Centro Gis é um de vários projetos da Associação Plano i e o seu âmbito de atuação prioritário “é a violência doméstica e de género”, integrando a rede nacional de apoio a vítimas de violência doméstica”.

O nome do Centro Gis “homenageia Gisberta Salce Júnior, uma mulher imigrante brasileira, transexual, seropositiva, toxicodependente, trabalhadora sexual e sem-abrigo que foi assassinada em 2006 depois de brutalmente espancada e violada por um grupo de adolescentes no Porto”, lê-se no comunicado do Eros Porto 2018 onde, a convite da organização, irá participar para a sensibilização sobre o tema.

LUSA/SO

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