21 Jan, 2019

Entrevista: Congresso Virtual das Vacinas destaca importância da vacinação ao longo da vida

No âmbito do 2º Congresso virtual das vacinas, organizado pela MSD, o SaúdeOnline entrevistou Filipe Froes, que defendeu a necessidade de se "mudar o paradigma da vacinação". O pneumologista do CHLN identifica ainda as vacinas mais importantes na idade adulta.

A vacinação na idade adulta ainda é desvalorizada?

Dr. Filipe Froes | Ainda é. A vacina, quando foi implementada, tinha o foco nas idades pediátricas. Nem sequer havia vacinas para os adultos. É normal que as pessoas associem a vacinação às crianças. Agora, têm vindo a ser desenvolvidas vacinas em idade adulta. O que temos de fazer é mudar o paradigma da vacinação da idade pediátrica para a vacinação ao longo da vida – ou, mais precisamente, da prevenção ao longo da vida. Nós, adultos, dispomos neste momento de um conjunto de vacinas que têm um impacto muito significativo na prevenção.

Que vacinas podem ser feitas na idade adulta?

Dr. Filipe Froes | São várias. De acordo com o Plano Nacional de Vacinação, temos a vacina do tétano, que, até aos 65, é dada de 20 em 20 anos (depois dessa idade é dada de 10 em 10 anos). É administrada conjuntamente com a vacina da difteria. Depois, temos uma vacina fundamental: a da gripe, que deve ser feita anualmente atendendo à mudança contínua do vírus influenza. Termos duas vacinas contra infeções por streptococcus pneumoniae e, mais recentemente, contra o Herpes Zóster. Existem vacinas mais específicas para viajantes também.

Tem havido pouca adesão a estas vacinas?

Dr. Filipe Froes | Quando se estão a mudar paradigmas, é normal que as coisas não mudem de um momento para o outro. Tem-se vindo a assistir, progressivamente, a um maior interesse e uma maior utilização. É preciso sempre reforçar a importância dessas vacinas para, cada vez mais, se poder implementar e se tornar normal a imunização ao longo da vida. No fundo, é preciso transferir a imagem de grande sucesso da vacinação pediátrica para toda a vida. A melhor maneira de tratar é prevenir.

Dessas vacinas que enumerou, quais são as mais importantes?

Dr. Filipe Froes | A vacina do tétano e a da difteria são fundamentais. Nas grávidas, a da tosse convulsa. E depois temos a gripe e a vacina contra as infeções por streptococcus pneumoniae.

Em termos de inovação, têm surgido novidades nesta área?

Dr. Filipe Froes | Estão várias vacinas em desenvolvimento, nomeadamente contra outros micro-organismos como o clostridium difficile, o Staphylococcus aureus, as formas mais graves de doenças provocadas pela Escherichia coli. É normal que surjam vacinas para outras doenças, não só do foro infecioso, como do foro neoplásico. Eventualmente, para algums doenças degenerativas como o Alzheimer. A prevenção está, cada vez mais, a sair do âmbito das doenças infeciosas e alargar-se para outras áreas do conhecimento.

Tiago Caeiro

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