31 Mar, 2020

APMGF pede avaliações ao telefone em vez de consultas

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar defende que os centros de saúde devem atender as pessoas de porta fechada.

“Apenas os doentes previamente contactados pelo seu médico e com situação clínica inadiável deveriam ser atendidos presencialmente”, recomenda o presidente da APMGF, Rui Nogueira, num documento sobre a pandemia da covid-19 enviado à agência Lusa.

No texto, intitulado “Pede-se rigor rapidez e radicalismo em medidas corajosas”, o médico de Coimbra sublinha que os centros de saúde “deveriam rapidamente começar a atender com a porta fechada”.

“O conhecimento da história do doente pode ajudar-nos. A possibilidade de emissão de receituário em formato digital é um recurso incrivelmente útil e todos os meios de comunicação que temos hoje à nossa disposição são ajudas preciosas”, refere.

Na sua opinião, “todas as pessoas deveriam permanecer em casa nos próximos dias ou semanas”, para ajudarem a conter a propagação do novo coronavírus.

“Ainda não temos equipamentos de proteção individual e é perigoso para nós e para os doentes assumirmos o contacto direto numa consulta presencial”, alerta Rui Nogueira.

Para o também coordenador de Internato em Medicina Geral e Familiar na Região Centro, “o contacto direto com doentes com suspeita ou já com diagnóstico de covid-19 – e ainda assim com as devidas precauções e proteções – apenas deveria ser possível nas áreas dedicadas a este atendimento”.

“Todos os outros doentes beneficiam mais e correm menos riscos se forem contactados por telefone pelo seu médico”, preconiza.

Por outro lado, os transportes públicos “deveriam circular exclusivamente para pessoas credenciadas e com justificação para trabalhos essenciais e indispensáveis”.

“Apenas se compreende a manutenção dos serviços essenciais e ainda assim com condicionamento e adaptação”, acentua o presidente da APMGF.

Ressalvando que acredita “na robustez do Serviço Nacional de Saúde e de todo o sistema de saúde”, Rui Nogueira considera “inevitável haver força política e determinação na aplicação das medidas preconizadas pelas autoridades”.

SO/LUSA

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