Qual a incidência do hipotiroidismo em Portugal?

Em Portugal não são muitos os estudos que nos dão uma fotografia clara sobre a incidência das doenças da tiroide, no entanto estima-se que ocorra em cerca de 5 a 10% da população, sendo o hipotiroidismo a doença mais prevalente.

Que grupos populacionais e etários são mais afetados?

As doenças da tiroide são mais frequentes nas mulheres e a sua incidência aumenta com a idade.

Como se diagnostica o hipotiroidismo? A que sinais considera que os seus colegas médicos, nomeadamente clínicos de MGF, devem estar atentos?

O diagnóstico é fácil e acessível através de análises ao sangue, sendo o doseamento da TSH o mais importante.

No hipotiroidismo, o cansaço, a apatia, o humor depressivo, a dificuldade em perder peso, são as queixas mais frequentes.

Considera que os médicos de medicina geral e familiar dão pouca importância às patologias da tiroide?

Penso que cada vez mais todos os colegas estão esclarecidos sobre a importância destas doenças e o seu peso na nossa população. No entanto, o facto dos sintomas do hipotiroidismo e do hipertiroidismo serem muito inespecifícos faz com que muitas vezes se confundam com outras doenças e que sejam desvalorizados pelos doentes e por alguns médicos.

 

 

Considera que as disfunções da tiroide, nomeadamente o hipotiroidismo, estão subdiagnosticadas em Portugal?

Os poucos estudos existentes têm demonstrado isso mesmo. Um estudo realizado em Portugal demonstrou que cerca de 71% dos participantes não sabiam que tinham alterações da função tiroideia.

Qual a relação já comprovada entre o hipotiroidismo e a infertilidade?

Nas mulheres, o hipotiroidismo pode ser acompanhado por irregularidades menstruais, como ausência de alguns ciclos ou meses sem mesntruação, alterações do fluxo e ciclos sem ovulação. Estas alterações podem causar infertilidade.

No caso das mulheres que querem engravidar e que tenham disfunções da tiroide, que cuidados devem ter e como deve agir o médico?

Toda a mulher em idade fértil com doença da tiroide deve ser bem informada pelo seu médico acerca da importância da vigilância rigorosa da função tiroideia e da sua normalização quando uma gravidez é planeada e, sobretudo, no decorrer da mesma. É extremamente importante esclarecer que não deverá supender a terapêutica e que, inclusive, o aumento de dose poderá ser necessário, tendo que fazer várias consultas e análises para seguir a situação. O médico deverá desmistificar medos, muitas vezes motivados por várias fontes de informação alarmistas e não fidedignas.

Existem tratamentos para ultrapassar o problema e aumentar as hipóteses de gravidez?

Especificamente relacionado com as doenças da tiroide, apenas o apertado controlo da função tiroideia é crucial para o sucesso de uma gravidez, pelo que a maioria das grávidas com disfunção tiroideia deve ser seguida pelo seu médico Endocrinologista.

E no caso das grávidas com problemas de tiroide, quais os principais riscos para a gestante e o feto? Que percentagem de abortos espontâneos se podem associar à tiroide?

A disfunção da tiroide está associada a várias complicações maternas e fetais, nomeadamente aborto, HTA na gravidez, Diabetes gestacional, parto pré-termo, malformações e alterações no desenvolvimento neuro-cognitivo das crianças.

Os estudos não são todos coincidentes, mas alguns apontam para que cerca de 8 a 12% dos abortos ocorram por problemas da tiroide.

Neste quadro, qual a importância da suplementação com iodo?

O iodo é um micronutriente absolutamente necessário à vida. Por não ser produzido pelo nosso organismo, deve ser obtido através de fontes externas, como por exemplo, alimentos ou suplementos.

É na tiroide que o iodo tem uma função crucial, já que é um componente essencial das próprias hormonas tiroideias. Ao longo da gestação, a tiroide sofre várias alterações fisiológicas adaptativas e que são reversíveis depois do parto. Neste período gestacional, as necessidade de iodo, estão aumentadas, pelo que a Organização Mundial de saúde e a Direcção Geral de Saúde recomendam a suplementação com Iodo a todas as grávidas e mulheres a amamentar, que não tenham doenças da tiroide conhecida.

A deficiência de iodo, que no passado estava associada apenas ao cretinismo e bócio, actualmente sabe-se que é responsável por um largo espectro de doenças, que podem começar na vida intra-uterina e continuar a surgir na infância e vida adulta.

SO

ler mais