30 Abr, 2019

Andar de bicicleta pode reduzir a probabilidade de sofrer de problemas cardíacos

Uma investigação britânica afirma que os indivíduos obesos que se deslocam do e para o trabalho de bicicleta podem ter menos probabilidades de mortalidade e de episódios cardíacos.

Que fazer exercício faz bem à saúde, já todos o sabemos. No entanto, na 26.ª Conferência Europeia de Obesidade, os oradores convidados apresentaram resultados de uma investigação britânica que afirma que os indivíduos obesos que se deslocam do e para o trabalho, particularmente aqueles que utilizam como meio de transporte a bicicleta, podem ver reduzido o risco de mortalidade e de eventos cardiovasculares, comparativamente aos que se deslocam de carro.

Para chegar a essa conclusão, participaram mais de 160 mil pessoas que faziam as deslocações entre o seu local de trabalho e a sua casa de carro, a pé ou de bicicleta e foram observados os resultados dessa atividade ou inatividade física na sua saúde, particularmente na área cardiológica.

Em comparação com os indivíduos com peso considerado normal para a sua estatura que iam de bicicleta ou a pé para o emprego, os que tinham peso em excesso viam as probabilidades de mortalidade em cerca de 30% e de quase 60% de vir a sofrer de um evento cardiovascular.

Contudo, os resultados eram totalmente diferentes quando as pessoas obesas faziam da bicicleta o seu meio de transporte, diminuindo substancialmente o risco de ter problemas cardíacos. Não obstante, constataram ainda que os episódios cardíacos aumentavam quando esta amostra apenas caminhava. Ainda assim, se a intensidade do exercício for gradualmente aumentada beneficiam de um decréscimo de eventos relacionados com doenças cardíacas.

Relação causa-efeito

Edward Toke-Bjolgerud, estudante de medicina de 5.º ano da Universidade de Glasgow e membro da equipa de especialistas responsáveis pelo estudo, sublinhou que, sendo este um estudo meramente observacional, não é possível estabelecer uma relação causa-efeito entre a forma como se deslocam e os riscos de saúde a ele associado.

Mesmo assim, de acordo com os resultados obtidos tudo indica que “o ‘deslocamento ativo’ [termo usado no decorrer da investigação para se referir à deslocação entre a casa e o trabalho feita a pé ou de bicicleta] poderia desempenhar um papel na atenuação da relação entre obesidade e mortalidade por todas as causas, mas alcançar melhorias nos desfechos cardiovasculares pode exigir uma forma de deslocamento ativo mais intenso, como o ciclismo”, explica o estudante.

Prosseguiu, dizendo que a questão que se levanta pelo estudo é: “O que está a causar esse efeito protetor [do coração]? Será o exercício consistente, diário, moderado a intenso ou o comportamento inativo, às vezes sedentário, quando se viaja de carro combinado com exercício?”

Se a relação se mostrar causal, será que existe algo que traga benefícios extra? Esta é apenas mais outra pergunta  que se pode colocar em cima da mesa. Neste caso, segundo os cientistas, equaciona-se a “qualidade do ar e a poluição, mas também sobre a segurança no trânsito”, o que poderá ser um fator decisivo para que as pessoas optem por se moverem de uma forma mais ativa (correr, caminhar, andar de bicicleta).

Possibilidades Intrigantes

O copresidente da sessão da conferêcia, Simon Williams, presidente da Associação para o Estudo da Obesidade, disse ao Medscape News UK que esta investigação é “extremamente interessante” e que “levanta algumas possibilidades intrigantes”, devido à incapacidade do estudo dar os resultados como inquestionáveis por causa das questões metodológicas do estudo.

O certo é que as pessoas que venham a optar pelo deslocamento ativo vão, com certeza, exigir algumas alterações na sociedade para criar as circunstâncias certas e ter boas infraestruturas para que tal seja possível, o que Simon Williams também considera fundamental, até para que se incentive à prática física numa população que é, na sua maioria, sedentária.

Guidelines para o Exercício Físico

As diretrizes do Chief Medical Officer para a realização de atividade física no Reino Unido recomendam cerca de 75 minutos de exercício intenso, que pode ser substituído por 150 minutos de atividades de intensidade moderada ou uma combinação dos dois. Estes valores são semanais.

No entanto, um estudo da British Heart Foundation, realizado em 2017, concluem que 39% dos adultos no Reino Unido, cerca de 20 milhões de pessoas, não cumprem essas recomendações, essencialmente por falta de tempo.

Erica Quaresma

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