14 Dez, 2021

Adesão à greve no Hospital da Cruz Vermelha ronda os 85%

Greve obrigou a fechar um bloco cirúrgico (geral) e a suspender as consultas. Sindicato denuncia “panorama de intimidação e pressão sobre os trabalhadores"".

A paralisação dos trabalhadores do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa teve uma adesão de 85% dos enfermeiros, segundo o sindicato, que denunciou que houve trabalhadores mobilizados já depois de publicado o pré-aviso de greve.

“Houve, de facto, uma manobra de mobilização de alguns trabalhadores contratados que não estavam escalados e que foram mobilizados para boicotar a greve. Depois de sair o pré-aviso isto não pode acontecer e vamos pedir às autoridades competentes para fiscalizarem esta situação”, disse à Lusa Rui Marroni, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

O dirigente explicou que a adesão global rondou os 85%, o que obrigou a fechar um bloco cirúrgico (geral) e as consultas. Há um bloco cirúrgico “a funcionar a meio gás”, apenas com metade dos trabalhadores, “muitos vindos do exterior para trabalhar à peça”.

O responsável considerou o nível de adesão “muito bom”, atendendo ao “panorama de alguma intimidação e pressão sobre os trabalhadores para aceitarem condições de trabalho que não fazem sentido”.

“Muitos trabalhadores estão a termo certo, recém-contratados, e também aderiram à greve, mas outros tiveram algum receio e estão nos serviços a trabalhar. A adesão não é total devido a estas contingências”, acrescentou.

Esta greve serve para contestar a decisão do Conselho de Administração do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, nomeado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, de considerar que o Acordo de Empresa estava caducado.

“O acordo está valido e só há, no nosso entendimento, duas maneiras e deixar de estar: ou por comunicação de aviso de caducidade por parte do Ministério do Trabalho, que, como sabemos, suspendeu essa publicação de aviso desde março deste ano até março de 2023, ou por decisão do tribunal, num processo que tenha sido colocado nesse sentido pela administração. Não houve nenhuma dessas situações”, afirmou Rui Marroni.

Explicou ainda que, num comunicadpo distribuido aos trabalhadores, a administração “disse que tinha aderido à Associação de Hospitalização Privada, que tem um contrato coletivo de trabalho que é menos favorável”.

“Contam poupar cerca de um milhão de euros por ano em remunerações aos trabalhadores. Isso é inaceitável”, acrescentou.

O dirigente sindical contou ainda que, no âmbito da reunião de prevenção de conflitos no Ministério do Trabalho, o sindicato já participou numa reunião, no passado dia 03, estando outra agendada para a próxima sexta-feira.

“Esperemos que haja da parte da administração o bom senso de acabar com este clima, manter o acordo em vigor e participar nas negociações, pois os sindicatos já apresentaram propostas em 30 de setembro e não tiveram resposta”, afirmou.

LUSA

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