2 Mar, 2020

Ácido fólico pode evitar até 70% de malformações no tubo neural do feto

Estudo mostra que apenas 18% das mulheres tomam este suplemento antes da gravidez e estima que se poderiam ter evitado mais de 200 casos de malformações nos últimos anos.

O alerta é do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. A toma diária de ácido fólico no primeiro trimestre da gravidez pode prevenir até 70% de defeitos no tubo neural do feto, escreve o jornal Público.

A Direção-Geral de Saúde recomenda a suplementação com ácido fólico até antes da gravidez, mais concretamente dois meses antes de a mulher deixar de usar contraceptivos. No entanto, por desconhecimento ou por falta de planeamento, o número de mulheres que o faz é muito baixo.

Segundo dados do Registo Nacional de Anomalias Congénitas (RENAC), apenas 18% das mulheres seguiu esta recomendação em 2017. E a percentagem até tem vindo a aumentar. No artigo publicado no boletim epidemiológico Observações, os investigadores do RENAC analisaram os dados do período entre 2004 e 2017. No primeiro ano de análise, apenas 6,8% das mulheres tomaram ácido fólico antes da gravidez.

Apesar da fraca adesão nesta fase, quase metade das mulheres (46,2%) iniciaram a suplementação durante o primeiro trimestre de gestação. Apenas 6% não tomaram ácido fólico em nenhum momento da gravidez.

Nos 14 anos em análise, foram detetados 538 casos de defeito no tubo neural, que deram origem a 567 malformações. Destas, 49,7% eram espinha bífida, 37,7% anencefalia e 12,5% eram encefalocelo. A coordenadora do estudo, Paula Braz, explica que tanto a anencefalia como encefalocelo impossibilitam a vida.

O trabalho estima que se poderiam ter evitado 202 casos de defeitos no tubo neural se as mulheres tivessem iniciado a toma de ácido fólico antes da gravidez. “Para este cálculo, o denominador foi construído com o numero de grávidas com um feto com DTN e que não tomou ácido fólico ou que iniciou só no primeiro trimestre, tendo sido retirado do denominador as grávidas que tinham iniciado o ácido fólico antes da gravidez e aquelas em que não havia informação sobre a toma”, refere Paula Braz.

O tubo neural forma-se até ao 28º dia de gravidez, altura em que, muitas vezes, as mulheres não sabem que estão grávidas. É por isso que a DGS, numa circular emitida em 2016, recomenda 0,4 miligramas/dia de ácido fólico – ou 4 gramas para quem tem uma história familiar deste tipo de anomalias.

Mesmo sabendo dos benefícios, a percentagem de mulheres que faz o suplemento antes da gravidez é baixa, até a nível europeu. “Há sempre um conjunto de gravidezes que não são planeadas e isso é muito difícil de evitar. E depois temos a gravidez planeada em que a mulher começa a tomar o suplemento, mas não engravida e abandona. Retoma quando percebe que está grávida. Isso funciona como se não tivesse tomado antes”, afirma Paula Braz.

TC/SO

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