Urgência de Obstetrícia do Barreiro em risco em 2025 por falta de médicos e dependência de tarefeiros
A urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital do Barreiro encontrava-se em 2025 numa “situação crítica”, devido à falta de médicos especialistas e à elevada dependência de prestadores de serviço, conclui uma auditoria hoje divulgada.

Segundo o relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), o serviço da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (ULSAR) dispunha de 11 especialistas, mas apenas sete asseguravam efetivamente a urgência, obrigando ao recurso frequente a tarefeiros para garantir escalas.
A IGAS identifica fragilidades estruturais e operacionais que já comprometiam a continuidade e qualidade da resposta, num contexto em que a urgência esteve encerrada em 77,2% dos dias analisados (17 em 22 dias). A auditoria indica ainda uma média mensal de 18,7 dias de encerramento no primeiro semestre de 2025.
O documento refere também o impacto das diferenças remuneratórias entre médicos do quadro e prestadores de serviço, que geravam descontentamento interno. Em alguns dias de abril de 2025, chegaram a encerrar simultaneamente as urgências de obstetrícia da margem sul, situação associada à escassez de recursos humanos.
A ULSAR serve cerca de 220 mil habitantes nos concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete.
A auditoria foi realizada no contexto de falhas recorrentes no serviço de urgência de obstetrícia na Península de Setúbal, que levaram à criação de uma urgência regional da especialidade, em funcionamento desde abril, dividida entre o Hospital Garcia de Orta, em Almada, e o Hospital de São Bernardo, em Setúbal.
O novo modelo surgiu como resposta do Ministério da Saúde à falta de especialistas e aos constrangimentos persistentes na região.
LUSA/SO
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