9 Abr, 2026

Médicos de família defendem valorização da especialidade que é “a ponte entre as pessoas e o sistema de saúde”

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto, abriu o 43.º Encontro Nacional da especialidade com um discurso marcado pela emoção, reflexão e apelo à valorização dos médicos de família, sublinhando a importância da união e da defesa dos cuidados de saúde primários.

Médicos de família defendem valorização da especialidade que é “a ponte entre as pessoas e o sistema de saúde”

Perante uma sala cheia de médicos de família, Nuno Jacinto destacou o simbolismo deste momento, assumindo tratar-se do seu último encontro nacional enquanto presidente da associação. “É um orgulho e uma alegria enorme ver esta sala cheia”, afirmou, enquadrando a sessão como um reencontro entre colegas e amigos, num ambiente de proximidade.

O evento da APMGF, que reúne centenas de profissionais, volta a afirmar-se como um espaço privilegiado de debate de temas clínicos e socioprofissionais ligados à prática diária da Medicina Geral e Familiar (MGF). Para além das sessões científicas, o encontro inclui iniciativas como receção de novos internos, atividades culturais e espaços de convívio, reforçando o seu caráter agregador.

Um dos aspetos destacados foi a dimensão familiar do encontro, pensado também para acolher os familiares dos participantes. “Já roubamos tanto tempo às nossas famílias que é importante que elas estejam aqui connosco”, referiu Nuno Jacinto, apontando iniciativas como um espaço dedicado a crianças como exemplo dessa preocupação.

No plano profissional, o presidente da APMGF reforçou a ideia de que a medicina geral e familiar deve estar no centro do sistema de saúde, defendendo a necessidade de passar “das palavras às ações”. Sublinhou ainda que os médicos de família “gostam do que fazem”, mas enfrentam dificuldades relacionadas com condições de trabalho e reconhecimento.

Recordando intervenções internacionais recentes, nomeadamente na conferência WONCA 2025, realizada em Lisboa, Nuno Jacinto reiterou que os cuidados de saúde primários são “a ponte entre as pessoas e o sistema de saúde”, sendo fundamentais para a construção de confiança.

O dirigente alertou também para os desafios que a especialidade enfrenta, defendendo a necessidade de proteger, valorizar e respeitar a medicina geral e familiar. “Investir na nossa especialidade não é apenas uma questão de justiça, é construir um sistema mais eficiente, humano e preparado para o futuro”, afirmou.

Continuando: “Escolher MGF é escolher servir o outro, é ter o coração cheio, é acreditar que cada pessoa é única, independentemente da sua origem, da sua condição ou da sua história. O que fazemos em cada consulta a nível técnico pode-se, pode ser esquecido e pode ficar um bocadinho perdido no tempo, mas a humanidade deixada pela forma como acolhemos o outro vai permanecer sempre.”

Num discurso que combinou referências pessoais e profissionais, destacou ainda o papel do associativismo como “uma escola de liderança” e apelou à participação ativa de todos os médicos na defesa da especialidade.

A intervenção terminou com uma mensagem de esperança e compromisso. “Ser médico de família é acreditar que estar presente importa”, concluiu, deixando um agradecimento aos profissionais pelo seu trabalho e dedicação. E lembrou que “a MGF é a especialidade do coração e de todos nós e o coração sabe sempre onde é que ele deve estar”.

O 43.º Encontro Nacional da APMGF decorre desde ontem até sábado e conta com 900 participantes de diversas regiões do país.

Maria João Garcia

Notícia relacionada

“A lógica de um novo futuro mantém-se: é uma marca que esta Direção quer deixar”

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais