Iniciativa da IM3M pretende “ajudar a crescer e a desenvolver o eu-investigador a par do eu-médico”
A IM3M está à procura de médicos de diferentes especialidades para conhecerem um método de trabalho de investigação em equipa, que lhes poderá permitir uma maior dedicação à investigação, apesar da atividade clínica intensa. Hugo Ribeiro, médico paliativista e investigador, realça que, apesar dos desafios diários, é possível investigar. Os interessados devem contactar via email: iniciativa3M@gmail.com.

A IM3M está à procura de colegas interessados em investigação e produção científica. O apelo é para todas as especialidades?
Sim, queremos definitivamente chegar a todas as especialidades e, acrescento, a todas as regiões do país. Nos últimos anos, alguns dos nossos elementos têm vindo a solidificar um método de trabalho de investigação em equipa, juntamente com vários colegas docentes universitários e investigadores, particularmente de Coimbra e do Porto. A nossa dinâmica permite-nos, atualmente, publicar, anualmente, mais de 50 artigos em revistas internacionais de prestígio, incluindo revisões clássicas e sistemáticas, séries de casos, coortes retro e prospectivos e até consensos.
Os colegas que se quiserem juntar a nós terão fases de maturidade científica diferentes e teremos isso em conta, bem como a sua motivação, para os ajudar a crescer e a desenvolver o seu “eu-investigador” a par do “eu-médico”. A IM3M alarga desta forma o seu potencial, não só porque queremos incentivar a investigação e o desenvolvimento da ciência a nível nacional, mas também porque o queremos fazer em todas as frentes, em todas as especialidades, de forma totalmente profissional e desinteressada.
Porquê esta aposta na investigação e produção científica?
A investigação favorece a atualização e a melhoria contínua de competências, de conhecimentos e de aptidões. No nosso entender, é fundamental que o médico seja simultaneamente um profissional assistencial e que também seja um gerador de dados e que reflita acerca dos seus próprios resultados. Neste processo, identificamos várias barreiras e dificuldades diárias para que os nossos colegas possam aprender a fazer investigação, a fazê-la efetivamente e a publicá-la.
Nesse sentido, acreditamos que podemos ser uma mais-valia, aproveitando todos os que tenham motivação para ser parte de um grupo, que não só garanta que não estão sozinhos a investigar, como também que assegura o devido acompanhamento e participação em todo o processo. Queremos trazer o nosso ímpeto da formação também para a investigação nacional, potenciando ambos.
Em Portugal, quais os desafios que se enfrenta nesta área?
Temos vários desafios e barreiras para que os médicos não consigam investigar e produzir ciência como seria importantíssimo que fizessem:
1- A carga assistencial elevada reduz tempo para investigar;
2- Inexperiência e formação metodológica limitada;
3- Financiamento limitado: muitos colegas relatam que desistem de investigar, porque receiam não ter meios para o que é necessário;
4- Burocracia e lentidão em comissões de ética e gestão hospitalar;
5- Infraestrutura e apoio institucionais insuficientes;
6- Falta de mentoria e inclusão em grupos de investigação de alta performance (clínicos e translacionais).
Um dos possíveis argumentos para alguns colegas não aceitarem o vosso desafio, poderá ser a falta de tempo. Como médico paliativista e investigador, que mensagem gostaria de deixar a quem possa estar mais renitente?
Queremos lançar o apelo para que venham averiguar como funciona um grupo de investigação, com mentoria adequada às necessidades individuais de cada um. No final da primeira reunião, poderão decidir melhor se efetivamente não conseguem colaborar com um projeto desta natureza. Este é o desafio que queremos lançar a todos.
Maria João Garcia
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