Falta de médicos e enfermeiros marca 46.º aniversário do SNS, alertam bastonários
No 46.º aniversário do Serviço Nacional de Saúde (SNS), os bastonários de médicos e enfermeiros alertam para a falta de profissionais e defendem reformas estruturais, num sistema que já consome cerca de 15 mil milhões de euros anuais.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) assinala hoje 46 anos com mais de 154 mil profissionais ao serviço, mas com sérias carências em áreas-chave. Os bastonários das ordens dos médicos e dos enfermeiros consideram que a escassez de recursos humanos ameaça a capacidade de resposta do sistema público de saúde, cuja despesa já ultrapassa os 15 mil milhões de euros anuais.
Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos (OM), sublinha que “o problema principal é a falta de recursos humanos, nomeadamente de médicos, de enfermeiros, de psicólogos e de técnicos”. O responsável lembra que apenas pouco mais de 30 mil médicos trabalham atualmente nas unidades públicas, apesar de existirem 55 mil inscritos na ordem, defendendo que a valorização da carreira e uma gestão hospitalar mais ágil poderiam fixar mais clínicos no SNS.
Para o dirigente da OM, o serviço público enfrenta “uma das maiores crises da sua história” por não se ter adaptado a uma medicina preventiva e às novas tecnologias, ao mesmo tempo que lida com o aumento da esperança de vida e da prevalência de doenças crónicas.
Já Luís Filipe Barreira, bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), considera que o SNS “dá respostas com muitas fragilidades”, agravadas pela instabilidade governativa: “Nos últimos 10 anos tivemos cinco ministros da Saúde, o que dificulta qualquer reforma”. O responsável defende um “pacto governativo” que ultrapasse ciclos políticos curtos e critica a falta de concursos para integrar os cerca de três mil novos enfermeiros que terminaram a formação este ano, forçando muitos à emigração.
Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, o SNS necessitaria de mais 14 mil enfermeiros, sendo frequente encontrar serviços com metade dos profissionais necessários. Em agosto, mais de 1,5 milhões de utentes não tinham médico de família atribuído.
Em paralelo, o sistema recorre cada vez mais a trabalho suplementar e médicos prestadores de serviços, conhecidos como “tarefeiros”, representando, em 2024, um encargo de quase 700 milhões de euros.
Apesar das dificuldades, Carlos Cortes sublinha que o SNS permanece “uma grande conquista da democracia” e um pilar de coesão social.
LUSA/SO
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