Sociedade Portuguesa do AVC critica restrições na prescrição de terapêuticas para diabéticos
A Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) alerta que limitar a prescrição de injetáveis e sensores de diabetes a quatro especialidades médicas prejudica o controlo de fatores de risco e a prevenção do AVC.

A Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) manifestou-se contra a decisão do Ministério da Saúde que restringe a prescrição de sensores de monitorização da glicose e medicamentos da classe dos agonistas dos recetores GLP-1 a apenas quatro especialidades médicas.
Em comunicado, a SPAVC apelou à revisão urgente da medida, defendendo que todas as especialidades envolvidas no tratamento do AVC e no controlo dos fatores de risco vasculares devem poder prescrever estas terapêuticas, garantindo cuidados completos e centrados no doente.
Desde 8 de agosto, apenas médicos de Endocrinologia e Nutrição, Medicina Interna, Pediatria e Medicina Geral e Familiar estão autorizados a prescrever fármacos como semaglutido, dulaglutido, liraglutido e exenatido – incluindo o Ozempic, usado no tratamento da diabetes tipo 2 e também na gestão da obesidade.
O Ministério da Saúde justificou a restrição com dificuldades no acesso a estas terapêuticas e relatos de uso indevido, alegando que a medida visa regularizar e corrigir distorções, promovendo um acesso adequado a estes recursos essenciais.
A SPAVC alerta, porém, que a diabetes é um fator de risco crucial para o AVC, principal causa de morte em Portugal. Limitar a prescrição apenas a algumas especialidades compromete a abordagem multidisciplinar e integrada, essencial na prevenção e tratamento da doença.
A associação destaca ainda que os análogos do GLP-1 contribuem para o controlo da hipertensão e da dislipidemia, reduzindo o risco e a recorrência de AVC, muitas vezes nos primeiros três meses após o evento. Por isso, considera que a medida não deve restringir a prescrição a quem pode beneficiar, mas sim orientar corretamente os médicos para a utilização adequada destes fármacos.
A SPAVC sublinha que especialidades como Neurologia, Cardiologia, Nefrologia e Cirurgia Vascular desempenham um papel importante na prevenção e controlo dos fatores de risco vasculares e deveriam estar incluídas na portaria.
No mesmo dia, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia também alertou que a exclusão da sua especialidade compromete a prevenção de eventos cardiovasculares.
LUSA
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