Em comunicado, a Tabaqueira afirma que as posições assumidas pelos especialistas presentes no congresso, decorrido no fim de semana no Algarve, prosseguem “uma estratégia de negação sobre a evidência científica disponível, segundo a qual os produtos de tabaco aquecido constituem uma melhor alternativa para os fumadores do que continuarem a fumar cigarros”.

No sábado, à margem do 35.º Congresso de Pneumologia, a médica pneumologista e professora de Medicina Preventiva Sofia Navarra, afirmou que “quer nos cigarros eletrónicos, quer no tabaco aquecido, existem outros tóxicos que não existem no cigarro tradicional e que têm riscos acrescidos para a saúde humana, incluindo o risco de desenvolver cancro”.

A especialista sublinhou que, mesmo tendo menos tóxicos do que os tradicionais, “os cigarros eletrónicos têm outro tipo de tóxicos que os cigarros não têm”, nomeadamente, metais pesados.

“[Os consumidores] estão a inalar partículas de metal da própria peça metálica pela qual é constituído o cigarro eletrónico”, argumentou.

Citado no comunicado hoje divulgado, o diretor-geral da tabaqueira, Miguel Matos, afirmou que “a comunidade médica deveria considerar cuidadosamente o impacto que mensagens imprecisas e incompletas poderão ter sobre aqueles que já mudaram para alternativas melhores do que continuar a fumar”.

“Estamos absolutamente de acordo que a melhor opção é não começar a fumar e para os fumadores é deixar completamente de usar produtos de tabaco ou com nicotina”, frisou o responsável, sublinhando: “no entanto, a realidade é que muitos não o irão fazer”. “Esses fumadores merecem uma solução sensata baseada em evidência e não simplesmente mensagens que podem afastá-los de melhores opções do que fumar cigarros”, acrescentou.

 

Componentes do tabaco aquecido e cigarro eletrónico não identificados

 

No congresso, um engenheiro químico da Fundação Champalimaud, Pedro Vaz, apresentou uma extensa lista de componentes que constituem o tabaco aquecido e o cigarro eletrónico, apesar de as embalagens dizerem que têm apenas “meia dúzia”.

A maior parte deles [dos componentes] não estão identificados. Ninguém sabe o que lá está”, referiu o investigador da Unidade do Pulmão da fundação ligada às áreas médica e científica.

Mais vale uma alternativa do que ignorar as várias tentativas falhadas dos fumadores em deixar de fumar, diz Tabaqueira

 

Para a Tabaqueira, “é inquestionável que a melhor opção se encontra sempre do lado da prevenção e da cessação do consumo de produtos de tabaco e que qualquer fumador adulto que tenha preocupações de saúde deve deixar de consumir quaisquer produtos de tabaco ou à base de nicotina”.

“Contudo, de acordo com dados da própria Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de homens e mulheres que irão continuar a fumar irá manter-se praticamente estável num futuro próximo, e para esses faz sentido a disponibilização de alternativas que tenham o potencial de ser menos nocivas que os cigarros”, sublinha.

Segundo a subsidiária da Philip Morris International (PMI) em Portugal, “para estes fumadores, não sendo o tabaco aquecido um produto inócuo ou isento de riscos, consiste, não obstante, numa melhor alternativa para eles do que os cigarros, conforme tem vindo a ser amplamente comprovado por evidência científica independente”.

O produto de tabaco aquecido que comercializa “foi autorizado para comercialização nos Estados Unidos da América, a 30 de Abril de 2019, e que a FDA (Food and Drug Administration), no contexto desta autorização, emitiu um comunicado em que assume que a autorização desses produtos para o mercado dos EUA ‘é apropriada para a proteção da saúde pública, porque, entre outras considerações fundamentais, o produto produz níveis menores ou inferiores de alguns constituintes tóxicos do que os cigarros combustíveis’”.

“Por exemplo, a exposição ao monóxido de carbono do aerossol […] é comparável à exposição ambiente e os níveis de acroleína e formaldeído são 89% a 95% e 66% a 91% respetivamente menores que os dos cigarros combustíveis”, escreve a Tabaqueira, citando o comunicado emitido na latira pela FDA.

Defende ainda que “é completamente infundada” a afirmação segundo a qual existe um desconhecimento relativamente à composição química do aerossol do tabaco aquecido, sublinhando que, após uma década de investigação, “é conhecida exatamente 99,7%” dessa composição.

“A composição química do aerossol do tabaco aquecido é muito diferente do fumo dos cigarros devido à ausência de combustão. Desta forma, é natural existirem constituintes químicos presentes no aerossol do tabaco aquecido que não estão presentes no fumo dos cigarros”, afirma.

Até à data, insiste a Tabaqueira, “foram completados 18 estudos não clínicos e 10 estudos clínicos em fumadores adultos” e “foi possível demonstrar que a redução das emissões tóxicos no aerossol do produto se traduz numa redução de toxicidade em modelos laboratoriais, menor exposição em estudos clínicos, seguido por melhorias na resposta biológica de pessoas que mudaram para o produto de tabaco aquecido em comparação com continuarem a fumar”.

Quanto às alegações relativas às substâncias tóxicas libertadas pelo “filtro de plástico” das unidades de tabaco aquecido, a Tabaqueira defende que “o seu filtro não contém plástico, contrariamente ao que falaciosamente se pretendeu insinuar”.

“O filtro em causa contém um polímero compostável feito de ácido polilático (que não é um plástico), cujo objetivo é arrefecer o aerossol e reduzir e/ou eliminar alguns constituintes químicos nele presentes, um elemento oco de acetato para conferir rigidez ao filtro e acetato de ceulose, semelhante ao filtro dos cigarros, para transmitir a mesma experiência sensorial”, acrescenta.

LUSA/SO

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