Segundo o relatório do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, que será hoje apresentado pela Direção-Geral de Saúde (DGS), os portugueses demonstraram mudanças positivas face à atividade física: 100% afirmaram que a prática regular melhora a qualidade de vida, 93% consideraram importante aumentar a utilização da bicicleta como forma de transporte e 90% afirmaram gostar de praticar atividade física/exercício/desporto, apesar de 15% se sentirem incapazes de o fazer.

No entanto, este retrato não se encontra refletido nas práticas da população – o último Eurobarómetro indicou a falta de tempo (43% da população) e a falta de interesse (33%) como as principais barreiras à prática de atividade física, o que contribui para níveis muito elevados de sedentarismo da população.

O barómetro nacional aponta para um desconhecimento profundo sobre as recomendações de atividade física. Apenas 2% dos inquiridos conheciam qual o nível de atividade física semanal recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a população adulta.

A diretora-geral da saúde, Graça Freitas, explica que a informação sobre os níveis de atividade física fica guardada no registo do doente, tal como acontece com outros parâmetros recolhidos pelos médicos de família nos centros de saúde, como a altura, o peso e a tensão arterial.

Desde que foram instaladas nos sistemas informáticos ferramentas que permitem aos médicos de família avaliar e registar o nível de atividade física dos seus utentes, o número de pessoas registadas tem vindo a subir, passando de 19.886 (289 por cada 100.000 utentes) em maio de 2018 para 119.386 (1.736/100.000) em junho deste ano.

A responsável sublinhou a importância desta avaliação, tendo em conta o impacto que a atividade física tem na saúde das pessoas, sobretudo na prevenção de doenças crónicas, e até para envolver o doente no processo preventivo e/ou terapêutico de alteração do estilo de vida.

No âmbito deste processo, além do registo da prática desportiva há ainda um aconselhamento breve para a atividade física, em que o profissional de saúde encoraja de forma verbal ou escrita a prática de atividade física, abordando os interesses do doente, as suas motivações e a disponibilidade.

“É importante fazer da atividade física uma coisa natural e que faz parte do dia a dia”, disse Graça Freitas, acrescentando que as campanhas que a DGS tem promovido são para promover a atividade física enquanto estilo de vida saudável e acessível a todos, em qualquer altura e em qualquer momento.

“Atividades como subir escadas, por exemplo, fazem parte do dia a dia e são atividades físicas”, disse.

Segundo a DGS, a proporção de utentes com 15 ou mais anos a quem foi prestado o serviço de aconselhamento breve, acompanhado da emissão dos guias de apoio à promoção de atividade física foi sempre subindo. No total, o número de guias emitidas quase triplicou entre 2018 e 2019, chegando às 20.494 (dados de junho deste ano).

Em paralelo, a DGS tem um projeto-piloto, envolvendo 14 unidades de saúde, que além do aconselhamento breve e da emissão de guias inclui o encaminhamento para uma consulta específica de atividade física os doentes com diabetes tipo 2 e com depressão.

No Barómetro Nacional da Atividade Física, os inquiridos associaram a atividade física à sua componente estruturada, sendo que apenas metade identificou atividades do dia-a-dia, como subir escadas, e este resultado serviu de base para a campanha nacional “SigaOassobio – A Atividade Física Chama Por Si”, lançada no primeiro semestre deste ano 2019 e cujo principal objetivo é demonstrar como a atividade física pode ser fácil, pouco dispendiosa, acessível e integrada no dia-a-dia.

SO/Lusa

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