Só no ano passado, 80 pessoas inscritas no registo nacional de dadores de medula óssea recusaram fazer uma doação de medula quando foram chamadas por serem compatíveis com um doente em risco de vida. É certo que o número de recusas é menor do que em 2017 (110), mas continua a ser expressivo, escreve o Jornal de Notícias.

A juntar aos dadores diretos, há que somar as recusas de familiares, que não são contabilizados e que poderiam fazer multipicar o número de recusas. Segundo dados do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), em 2018, o Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (CEDACE) recebeu pedidos de ativações para 1424 dadores.

Destas, 432 revelaram-se inviáveis: 220 por motivos de saúde, 81 por impossibilidade de contacto (contactos desatualizados), 80 por desistência, 27 por transferência dos dadores para outro registo e 24 por terem emigrado.

A desinformação pode estar na origem de muitas das desistências, que, ainda assim, representam apenas 6% do total de pedidos. “As pessoas têm medo, por exemplo, de contrair sida durante a colheita, o que é totalmente errado”, disse ao jornal a diretora do Serviço de Terapia Celular do IPO do Porto, Susana Roncon.

Há quem recuse ajudar um doente por temer sintomas como dor ou cansaço. A médica do IPO do Porto tenta desmistificar ideias erradas, explicando que a dor é ligeira e que se resolve com analgésicos. Quanto ao risco de contrair sida e até cancro devido às injeções prévias ao transplante, Susana Roncon esclarece que não têm fundamento científico. Não há, portanto, qualquer risco de contrair estas doenças.

O IPO do Porto está mesmo a organizar um evento para sensibilizar para a importância da dádiva de medula óssea, que vai decorrer dia 21 deste mês.

TC/SO

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