Segundo os dados estatísticos do relatório europeu (Eurostat), duas em cada três mortes em indivíduos com menos de 75 anos podiam ter sido evitadas, o que em termos gerais representa 22 138 óbitos (67,6% das mortes das pessoas com idades compreendidas entre esta faixa etária).

Os dados reportam a 2016 e apontam como principais causas de morte o ataque cardíaco e o cancro da traqueia, brônquios e pulmão a ocupar um pouco mais de um terço dos óbitos – 15 e 14%, respetivamente. Já o enfarte agudo do miocárdio (7%), as doenças relacionadas com álcool (7%) e o cancro colorretal (6%) são outras das enfermidades que mais contribuem para mortalidade prematura da população.

De acordo com a opinião médica, as causas para o desenvolvimento destas doenças prendem-se com hábitos alimentares, sendetarismo, obesidade e diabetes.

É ainda importante ressalvar que Portugal ocupa o 17.º lugar num ranking que envolve 28 países da União Europeia, situando-se ligeiramente abaixo da média europeia, que regista 68% de mortes evitáveis de uma amostra de 1,2 milhões de óbitos.

Apesar de se ter vindo a registar um decréscimo, “as doenças cardiovasculares continuam a estar no topo”, explica o cardiologista Hélder Pereira ao Jornal de Notícias (JN). Relativamente ao cancro, verifica-se o contrário – um constante aumento aumento de mortes ao cancro associadas.

Na opinião do especialista e diretor do serviço de Cardiologia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, e tendo em conta que a obesidade e a diabetes continuam a aumentar, “há ainda muito por fazer”. O mais importante é a promoção de um estilo de vida saudável, que engloba uma prática de exercício regular e bons hábitos alimentares, defende.

Para António Araújo, oncologista do serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar Universitário do Porto, “é importantíssimo investir na educação da população de forma a que adquiram hábitos de vida saudáveis“, adiantando ainda que, como afirma o cardiologista, “o exercício físico, o evitar fumar e consumir álcool em quantidades exageradas” são fatores importantes para um estilo de vida saudável.

Relativamente aos dados revelados, o médico oncologista não mostra surpresa, chegando mesmo a afirmar que “estão em linha com o que é esperado”.

Do total dos 22 138 mortes registadas, o Eurostat declara quais as poderiam ter sido “preveníveis”, ou seja, tratadas através de intervenções na saúde pública e de prevenção primária, e os que poderiam ter sido “tratáveis”, através de abordagens atempadas e eficazes nos cuidados de saúde. Adiantaram, ainda que dos mais de 22 mil óbitos evitáveis, 61,4% tinham sido através da prevenção e o restante por via de tratamento.

EQ/SO

ler mais