O Governo recebeu uma proposta, Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, para que a nova maternidade de Coimbra se localize no perímetro dos Hospitais da Universidade. A ministra da Saúde salienta que todos os estudos técnicos apontam para essa solução.

Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Comunidade Intermunicipal estão contra a solução proposta. Defendem que a nova maternidade fique localizada no Hospital dos Covões (também integrado no CHUC).

“Agora, é dar o passo a seguir, trabalhar no programa funcional e construir a nova maternidade, porque ninguém nos perdoaria se permanecêssemos arreigados àquilo que são as nossas perspetivas institucionais e prolongássemos por mais tempo esta necessidade de ter uma nova maternidade que responda à população que é servida por duas maternidades [Bissaya Barreto e Daniel de Matos] muito boas tecnicamente, muito capazes do ponto de vista dos seus profissionais, mas que estão, em termos de instalações, em condições muito débeis há algum tempo”, vincou a ministra, que falava aos jornalistas à margem da iniciativa do CHUC “O que é importante para si?”.

O presidente do conselho de administração do CHUC, Fernando Regateiro, afirmou à imprensa que os Covões não teriam dimensão nem respostas para um serviço de obstetrícia e neonatologia, “inseridos num hospital de apoio perinatal diferenciado”.

 

Covões não dariam resposta

 

“Quando se fala deste tipo de hospital, estamos a falar de tudo o que é um hospital com todas as respostas que uma mulher grávida precisa quando adoece”, frisou, salientando que nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) estão todas as equipas das diversas especialidades e os recursos materiais e analíticos sempre prontos a intervir numa situação de emergência de uma grávida que adoeça.

A responsabilidade do CHUC “é criar condições de segurança para uma grávida que adoeça”. “Quando adoece, há situações muito graves e complexas e ela tem que ser tratada como doente adulta e não podemos duplicar, a meia dúzia de quilómetros, respostas que são de uma complexidade extraordinária, até porque nem há meios humanos, físicos ou tecnológicos”.

Segundo Fernando Regateiro, está neste momento a ser trabalhado o desenho da localização da nova maternidade, os trajetos de ligação ao bloco central e o programa funcional, acreditando que, “dentro de muito poucas semanas, esses documentos estarão prontos”.

Já o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, está em “absoluto desacordo” com a localização da nova maternidade na área dos Hospitais da Universidade e considera “inaceitável” que a autarquia não seja ouvida sobre o processo.

 

Presidente da Câmara critica solução

 

“O PDM [Plano Diretor Municipal] de Coimbra tem de ser respeitado”, alertou o autarca socialista. Salientando que a zona dos HUC está sobrecarregada de tráfego e sem capacidade de estacionamento e sob forte pressão urbanística, Manuel Machado voltou a defender que “a solução exequível” para instalar a nova maternidade é na área do “Hospital dos Covões, na Quinta dos Vales”, na margem esquerda do Mondego.

No Hospital dos Covões (que, tal como os HUC e outros estabelecimentos, integra o CHUC), “há um edifício disponível”, embora precise, “naturalmente, de ser reabilitado”, disse Manuel Machado, destacando que a localização nos HUC implica a construção de um edifício de raiz, “ao que parece” na área das urgências.

“Não pactuarei com esta solução”, assegurou, ainda durante a reunião da Câmara, Manuel Machado, afirmando que “não acompanha nem quer acompanhar” o CHUC nesta posição, resultante de “estudos feitos à última hora” e de valia científica que questiona.

“É inaceitável” que este processo “seja tratado deste modo, sem que a Câmara”, que é “a entidade responsável pelo ordenamento do território, seja ouvida”, concluiu.

LUSA

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