A realização destes testes rápidos nas farmácias comunitárias e laboratórios de análises clínicas foi autorizada a 12 de março de 2018 por despacho do então secretário de Estado Adjunto e da Saúde Fernando Araújo, tendo a medida arrancado em outubro com um projeto-piloto em Cascais e com o anúncio de que iria ser alargada a outras zonas do país.

Dados avançados à Lusa pela coordenadora da Ser+ – Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à Sida revelam que, desde outubro de 2018 até 01 de abril, foram realizados 349 testes rápidos para o VIH/sida e 290 teste rápidos para a Hepatite C.

Os testes rápidos de rastreio à Hepatite B apenas começaram a 08 de março, tendo sido realizado doze até 1 de abril, disse Andreia Pinto, explicando que estes testes foram realizados de forma gratuita e confidencial.

Até ao final do 2018, quando tinham sido realizados 188 testes para o VIH e 153 e para a Hepatite C, um teste deu reativo para o VIH/sida e dois para a Hepatite C, adiantam os dados fornecidos pela Associação Nacional das Farmácias.

Andreia Pinto explicou que o diagnóstico não se faz sem a ligação aos cuidados de saúde e que, no caso das farmácias, os farmacêuticos perante um teste reativo devem referenciar o utente, com a sua aprovação, utilizando a Linha de Saúde 24

“Fazer um diagnóstico só pelo simples ato de diagnosticar”, sem fazer a ligação imediata no caso de um teste reativo aos cuidados hospitalares, “seria criminoso”, frisou.

Para a coordenadora da Ser+, a adesão crescente a esta iniciativa mostra que “as pessoas começam a estar despertas para quererem conhecer melhor a sua saúde”.

Esta posição é partilhada por Raquel Lourenço, da Farmácia Cascais, que aderiu ao projeto desde o início e que tem neste momento três farmacêuticas a realizar os testes.

“Quando aderimos [ao projeto], pensámos que não íamos ter grande procura, mas as pessoas estão a procurar imenso”, disse Raquel Lourenço, comentando que o teste é feito “tanto por homens como mulheres”, como por “pessoas com 18 anos ou pessoas com 86 anos”.

Para a farmacêutica, a procura pode dever-se ao teste poder ser feito de imediato e ter “o resultado na hora”, enquanto se for ao médico, tem que pedir a prescrição, realizar a análise num laboratório e esperar pelo resultado.

“Todos estes passos podem fazer com que a pessoa desista à partida”, afirmou Raquel Lourenço, que teve de receber formação para realizar os testes, promovida pela Ordem dos Farmacêutico, no âmbito da iniciativa da ONU “Fast-track cities – Cidades na Via Rápida para eliminar o VIH”, que tem como objetivo transformar, até 2030, Portugal num país livre da epidemia de VIH/sida

Segundo Andreia Pinto, o projeto só está ainda a ser implementado em Cascais, mas mais nove municípios aderiram à iniciativa da ONU, entre as quais Lisboa e Porto.

Cada cidade a nível mundial define as estratégias que consideram ser as mais adequadas para alcançar as metas preconizadas: “Diagnosticar, tratar e alcançar o sucesso terapêutico na área do VIH””, explicou.

No seu entender, a ação estratégica desenvolvida em Cascais devia ser replicada noutros municípios e “se for de uma forma gratuita melhor ainda”, vincou.

Contactado pela Lusa, o Ministério da Saúde adiantou que o processo de adesão das farmácias é “absolutamente voluntário”.

“Sempre que pretenderem prestar esse serviço têm que comunicar ao Infarmed, no pressuposto de terem formação para o efeito e de cumprirem uma série de requisitos. Podem, depois, ser sujeitas a inspeção”, afirmou o Ministério numa resposta escrita à Lusa.

Apesar de cerca de quatro dezenas de farmácias terem comunicado que pretendiam fazê-lo, há farmácias que, por falta de alguma das condições, não se encontram a prestar esse serviço neste momento, segundo a autoridade nacional do medicamento.

LUSA

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