Um estudo de larga escala realizado na Dinamarca demonstra, uma vez mais, que não existe qualquer relação entre a vacina conjunta contra a rubéola, varicela e sarampo e o autismo. O trabalho é o maior alguma vez realizado sobre o tema e foi publicado este mês no Annals of Internal Medicine.

Foi em 1998 que surgiu a tese de que esta vacina tríplice poderia causar autismo. A hipótese foi avançada num artigo de Andrew Wakefield no The Lancet e, desde aí, tem ganho adeptos um pouco por todo o mundo mas em particular nos Estados Unidos. Wakefield veio, depois, retratar-se, ao admitir erros metodológicos na base das suas afirmações. Mas o mal já estava feito: o artigo causou pânico e afectou as taxas de vacinação em todo mundo.

Muitos especialistas insurgiram-se contra a tese e vários estudos têm vindo a provar a sua falsidade. Contudo, ainda não tinha surgido nenhum com a dimensão do que foi levado a cabo agora na Dinamarca. Os investigadores acompanharam a evolução de 657 461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010 e seguiram-nas até agosto de 2013. Em todos os casos foi tido em conta se foram ou não vacinadas, se tinham algum familiar diagnosticado com autismo ou se tinham algum outro fator de risco.

6517 crianças foram diagnosticadas com autismo, uma incidência de 129,7 por cada 100 mil habitantes. Não se verificou nenhuma diferença entre as crianças vacinadas e as não vacinadas. “O estudo prova incondicionalmente que a vacinação tríplice viral não aumenta o risco de autismo, não desencadeia o autismo em crianças suscetíveis e não está associada a casos de autismo após a vacinação”, garantem os autores do estudo.

As estimativas variam mas calcula-se que uma em cada 160 crianças sejam afetadas por esta doença.

Tiago Caeiro

ler mais