Entre os estabelecimentos que fecham e os que abrem portas, o número de farmácias tem crescido, ainda que de forma ténue, nos últimos quatro anos. Depois de um saldo negativo entre 2013 e 2014, Portugal ganhou, até junho do ano passado, mais 39 farmácias, segundo avança o Jornal de Notícias. Contudo, 23% estão em situação de insolvência ou têm um processo de penhora pendente.

No final do primeiro semestre de 2018, existiam 2922 farmácias em Portugal, sendo que 675 se encontravam numa situação financeira delicada. “O país conseguiu, de alguma maneira, estancar a hemorragia. Agora, não conseguimos foi sarar a ferida”, alerta a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, reeleita hoje para um segundo mandato. O setor foi gravamente afetado durante o programa de ajustamento internacional, período em que o preço dos medicamentos caiu de forma acentuada, retirando margem de lucro às farmácias.

A redução da despesa do Estado com medicamentos acabou por chegar aos 300 milhões de euros. A juntar a isto, lembra Ana Paula Martins, o efeito das medidas da troika provocou uma redução no volume de negócio das farmácias de 800 milhões de euros. Embora a situação não se tenha agravado desde 2014, a bastonária garante que um terço dos estabelecimentos não consegue pagar a fornecedores nem comprar ou vender a crédito.

Tiago Caeiro