A Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) “é, desde há muitos anos, o ponto alto de encontro dos endocrinologistas”, refere o presidente da SPEDM, o Prof. Doutor Davide Carvalho. O evento, que decorre em simultâneo com o Congresso de Endocrinologia, “tem como objetivo discutir, não só aspetos de atualização, mas também outros aspetos numa perspetiva organizacional”, explica.

“Pela primeira vez, vamos ter dois trilhos: um dedicado às doenças metabólicas (diabetes, obesidade, dislipidemia) e outro que diz respeito aos tumores neuro endócrinos, supra-renais e da tiroide”, avança o médico endocrinologista. Estes temas vão dominar os trabalhos e servem para, de forma contínua, os especialistas poderem melhorar a prática clínica.

Por outro lado, o presidente da SPEDM destaca dois grandes tópicos que vão ser aprofundados durante a Reunião. Um deles é a rede de referenciação de endocrinologia. “A referenciação foi recentemente aprovada, depois de um período de discussão pública. É uma rede que prevê a distribuição de serviços de endocrinologia por todo o país: nomeadamente em Guimarães, Tondela-Viseu, no Alentejo. Isso vai permitir que todos os doentes usufruam de cuidados de endocrinologia de proximidade”, salienta.

As inovações terapêuticas vão também ocupar um lugar de destaque. “Estamos no limiar de grandes mudanças. Está para breve a introdução no mercado de monitores que permitem monitorizar a glicose intersticial durante três meses minuto a minuto”, revela o Prof. Doutor Davide Carvalho, acrescentando que existem já “novas armas terapêuticas no tratamento da obesidade (com a introdução do semaglutido), nas situações de hipercortisolismo, no tratamento do cancro da tiroide (com fármacos que já estão a ser utilizados noutras áreas), na osteoporose”.

A Reunião da SPEDM, juntamente com o Congresso de Endocrinologia, contou este ano com cerca de 600 participantes e um contributo interessante de palestrantes estrangeiros. “Estamos a desenvolver uma colaboração muito estreita com colegas do Brasil. Vamos ter a presença do Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Mas também de colegas espanhóis”, refere o especialista.

Os cursos pré-congresso servem, explica, para “colmatar eventuais lacunas de formação”. “Por outro lado, a nível das tecnologias, teremos a criação de consultas de telemedicina. A estrutura que existe neste momento em Portugal ainda é embrionária mas a ideia é que essas consultas de multiplicam”, realça o endocrinologista do Centro Hospitalar de São João.

“Recentemente, com a introdução da monitorização contínua da glicose intersticial, passámos a ficar com os dados dos doentes. Então coloca-se a questão de como conseguiremos lidar com essa informação. Têm sido criadas diversas plataformas online, nas quais os doentes podem colocar os seus dados, os médicos podem aceder e observar o que é relevante e, eventualmente, responder ao doente sugerindo modificações da terapêutica”.

Tiago Caeiro

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