“Tem existido um esforço bastante grande a apelar à notificação [das reações adversas dos medicamentos], não só em campanhas de sensibilização, mas também à utilização de novas tecnologias, nomeadamente as aplicações para ‘smartphones’ que facilitam o papel ao médico e uma plataforma lançada pelo Infarmed”, frisou à agência Lusa a investigadora, na terça-feira.

Segundo a especialista, “é necessário conhecer efetivamente o que é que o medicamento é capaz de fazer para existir segurança na sua utilização, tendo sempre em vista a melhoria da qualidade de vida do doente e o seu tratamento com a maior segurança e eficácia”.

Os avanços da farmacovigilância vão ser discutidos na quinta e na sexta-feira em Coimbra, numa conferência que reúne, pela primeira vez, cerca de 200 especialistas portugueses, espanhóis e franceses, no âmbito de um projeto que junta os três países.

Esta conferência realiza-se no Convento São Francisco, no âmbito do projeto europeu Onconet Sudoe, iniciado em julho de 2017, com o objetivo de criar uma rede europeia de cooperação em oncologia entre centros de investigação, universidades, instituições de saúde e empresas que atuam no território dos três países envolvidos.

“Este é um encontro que colocará em destaque os processos de farmacovigilância, dando a conhecer grande parte das atividades realizadas em todo o ciclo de vida dos medicamentos usados em Oncologia”, disse Maria Filomena Botelho, coordenadora do projeto em Portugal.

A conferência irá debater desde a investigação e desenvolvimento de fármacos, a prática clínica pós-comercialização, os aspetos legais, regulatórios e éticos, a monitorização da segurança dos medicamentos, até ao impacto clínico, social e económico das reações adversas a medicamentos.

Segundo a investigadora, o projeto que está a ser desenvolvido pretende “perceber quais são as boas práticas no contexto da oncologia, integrar projetos colaborativos, conectar investigadores com empresas e doentes e tentar perceber até que ponto os doentes destes três países têm igualdade nos cuidados de saúde.

“No âmbito da farmacovigilância, que é um dos nossos focos neste momento, aquilo que pretendemos exatamente é perceber quais são as boas práticas que podem ser partilhadas entre os três países, de forma que isto se possa refletir em melhores cuidados de saúde ao doente oncológico”, explicou.

O foco do projeto, de acordo com Maria Filomena Botelho, é “tentar perceber até que ponto são usadas novas tecnologias para melhorar todo o processo de notificação das reações adversas aos medicamentos, quais são as boas práticas que se devem partilhar e até que ponto ao longo do tempo tem havido uma melhoria”.

Num balanço preliminar ao projeto, que termina em junho, a investigadora portuguesa disse que existe “uma evolução e que, tanto em Portugal como em Espanha ou França, tem havido uma tentativa e um esforço bastante grande” na notificação das reações adversas dos medicamentos.

LUSA

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