Uma equipa de cientistas australianos desenvolveu um novo teste experimental que consegue, em apenas 10 minutos, detetar cancro utilizando o ADN (a informação genética), obtido a partir de uma simples amostra de sangue. Trata-se de um passo importante para melhorar o diagnóstico e fazê-lo numa fase inicial da doença, o que pode ser determinante para o sucesso do tratamento.

“O resultado foi uma surpresa completa e uma descoberta por acaso”, admite Matt Trau, da Universidade de Queensland, na Austrália. O teste ainda está numa fase preliminar de desenvolvimento, mas a equipa acredita que ele pode vir a transformar-se no futuro numa ferramenta acessível e barata para aplicação clínica.

Duas investigadoras do laboratório (especializado em nanotecnologia e diagnóstico molecular) dirigido por Matt Trau estavam a fazer sequências de ADN de amostras de tumores quando descobriram um padrão que parece ser comum em quatro tipos de cancro: mama, colorretal, linfoma e próstata.

Descoberto o padrão, os cientistas desenvolveram um teste capaz de identificar essa assinatura molecular a partir de uma amostra de sangue. Os investigadores descobriram que as moléculas presentes no referido padrão aderiam a partículas de ouro, quando colocados numa substância aquosa. Quando existem estruturas de ADN cancerígeno as partículas de ouro mudam de cor.

“Concebemos um teste simples usando nanopartículas de ouro que mudam instantaneamente de cor para determinar se as nanoestruturas 3D do ADN do cancro estão presentes”, resume Trau. O trabalho foi desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos mas só agora foi descrito num artigo publicado na revista científica Nature Communications.

Em apenas 10 minutos, o teste determina se o resultado é positivo ou negativo. No entanto, por esta altura, o teste ainda tem uma taxa de 10% de falsos positivos – o que significa que tem de ser melhorado – e é também incapaz de determinar de que tipo de cancro se trata nem em que estádio se encontra. Os cientistas também não sabem a partir de que fase da doença é identificável a assinatura molecular.

A equipa testou 200 amostras de ADN de doentes com e sem cancro mas ainda há um longo caminho a percorrer. “O próximo passo é desenvolver mais testes com populações maiores e mais tipos de cancro”, disse Matt Trau ao jornal i. A confirmar-se este alargamento de que fala Trau, este teste pode tornar-se o primeiro teste de diagnóstico universal para detetar a doença.

Saúde Online

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