Em comunicado, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul/Federação Nacional dos Médicos (FNAM) conta que “nos últimos meses a situação da especialidade de anestesia a nível das equipas de urgência desta unidade hospitalar tem vindo a agravar-se progressivamente, sem que se vislumbrem quaisquer medidas concretas da administração e em particular do seu diretor clínico para solucionar este grave problema”.

De acordo com o sindicato, em vez de 24 médicos desta especialidade a fazer urgência em escalas de 24 horas, só existem 13, havendo mais quatro a fazer períodos de 12 horas diurnas.

“Ainda este mês, mais três médicos desta especialidade deixaram esta unidade hospitalar, tornando mais deficitários os seus efetivos. As equipas de anestesia na urgência foram reorganizadas, ficando com apenas dois especialistas”, é explicado.

O sindicato lembra a este respeito que o Colégio da Especialidade de Anestesiologia da Ordem dos Médicos recomenda que o número adequado de médicos desta especialidade nas escalas de urgência é de quatro.

“O regulamento de funcionamento da equipa de urgência da Anestesiologia estabelecido por esta unidade hospitalar estabelece a existência de quatro elementos no período diurno e de três no período noturno, o que desrespeita as disposições técnicas de segurança do trabalho médico recomendadas pela Ordem dos Médicos, tendo sido contestado em tempo devido pelo serviço”, é referido.

Por isso, o sindicato chama a atenção para “extrema gravidade” da situação e os “riscos elevados para os médicos especialistas e, sobretudo, para os doentes”.

O sindicato adianta também que os médicos enviaram para a Ordem dos Médicos e para o diretor clínico minutas diárias onde “declinam quaisquer responsabilidades por eventuais ocorrências graves para os doentes que possam vir a surgir”, mas sem sucesso. Por causa da situação, alguns médicos anestesistas estão a equacionar deixar de trabalhar no Hospital Amadora/Sintra.

“Por outro lado, a quase totalidade dos médicos deste serviço, à exceção de um, que fazem urgência 24 horas já entregou a declaração de recusa em fazer mais de 200 horas extraordinárias”, adianta o sindicato.

Por isso, o sindicato decidiu “desencadear as correspondentes medidas judiciais de responsabilização da referida administração hospitalar, ao mesmo tempo que irá exigir a intervenção do Ministério da Saúde”.

A agência Lusa tentou contactar a administração do hospital, mas sem sucesso. O Censos de Anestesiologia 2017 indica que há um défice de 541 anestesiologistas nas instituições hospitalares do SNS.

LUSA

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